Sobre ser minimalista. Ou “destralha”.

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Estou gostando muito desse novo movimento de se libertar das coisas materiais. Não sou budista nem nunca gostei da arquitetura de Niemeyer, apesar de ser brasiliense, mas esse negócio de se viver com menos tralha está sendo muito apelativo pra mim.

Não sei se é o fato de ter dois meninos pequenos e uma infinidade de brinquedos barulhentos, de plástico e que se posicionam estrategicamente embaixo do seu pé no meio da sala quando você levanta no meio da noite pra beber água…

Ou se é o fato de que moramos num apartamento minúsculo que mesmo sendo coberto de móveis feitos sob medida nunca parece estar organizado como os ambientes chiques da CasaCor…

Acho que são os dois motivos, e mais uns 37 motivos também. Quero comprar mais tralha mas a tralha nova não cabe porque já tenho a tralha velha aí penso que poderia vender a tralha velha e até ajudaria no financiamento da tralha nova mas daí canso de pensar e desisto. Lembro que nem sequer a tralha velha eu tô usando tanto…

E isso vale pra tudo, mesa de jantar, sofá, carro, livros, DVDs, roupas… ahh as roupas… quanta coisa eu tenho meu Deus! E quando quero sair, pro desespero do marido, eu sempre acho que não tenho nada pra usar!

Então decidi. Resolvi. Destralhei de vez. Enlouqueci de vez. Ou emergi à sanidade finalmente.

Chamei as mães (minha e dele) e disse: “Escolhe! Pega aí! Tudo o que você quiser!” E foi tudo mesmo, de panelas a sapatos.

Foi incrível ver o brilho nos olhos delas ao ver um mar de possibilidades! Como se elas estivessem entrando na ETNA em liquidação com um cheque de 5 mil reais pra gastar! Kkkk

E quando elas acabaram de escolher as tralhas delas, juntei todo o resto (ok, não tooodo todo, mas a maior parte) e levei pra igreja.

Sim, eu dei meus eletrodomésticos que passei a vida inteira colecionando. Dei meus DVDs raros que passei anos garimpando em locadoras e sebinhos.

Mas o fato é que eu não usava quase nunca aquela sanduicheira… e hoje em dia eu vejo muito mais netflix do que DVD quando dá tempo de sentar no sofá (uma vez por mês)…

E então de repente não mais que de repente eu me vi finalmente num apartamento que está (quase) sempre arrumado, e nunca mais pisei num lego no meio da noite.

Resumo: recomendo!