Sobre ser mãe no subway

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A melhor forma de aprender é na prática.

Não tem jeito, podem te contar como é, podem desenhar, mostrar vídeos, você pode ir lá na casa da pessoa e passar um dia,uma semana, um mês com ela. Mas ser mãe é uma coisa que só quem é mãe sabe o que é. Nem pai sabe. Me desculpem. Sem ofensa.

Eu sempre amei crianças. A vida inteira fiz questão de me cercar delas. E eram várias, muitas, todas ao mesmo tempo. Trabalhei com grupos de criança, fiz animação de festa, fui babá, fui tia, fui professora, enfim, já saí correndo em volta da piscina jogando balinha pra cima com 50 crianças atrás de mim gritando “peeeeeeeega a tia Dany!” (acantonamento Sagrada Família, bons tempos). Mas nunca, nada nesse mundo poderia ter me preparado pra hercúlea tarefa de ser mãe. Mãe de um menino lindo, e de uma menina linda, e de outra menina linda. Mãe de 3. Afff, cansa só de falar. Sim, e eu senti você reclinando aí na sua cadeira falando: “trêeeees?”

Acho que a grande questão da maternidade (e aí não tem diferença pra mãe de um ou mãe de cinco) é que o trabalho não pára. Sim, tem a responsabilidade. Tem o peso. A pressão. Quando você vê o resultado do exame positivo você se torna responsável por outra pessoa. Pra sempre. Forever. Gente, é muita pressão! A tia Dany louca correndo em volta da piscina não pensava como a mamãe Dany, com o sangue sumindo da sua face só de pensar em 50 crianças correndo em volta da piscina e os perigos implicados nisso.

Quando a gente é mãe a gente não pode nem morrer. Gente, pensa isso que louco!? É engraçado mas juro que é um pensamento que já passou na cabeça de toda mãe. E provavelmente quem não é mãe não entende bem o conceito, acha que é só fazer seguro de vida, deixar testamento, e parar de ficar com neurose de pensar na morte, afinal você vai ter um filho, vamos celebrar a vida! Não. Sim, claro que é um grande momento para celebrar a vida, mas na cabeça hormonal de uma mãe a morte nunca foi tão presente.

Mas como eu dizia a grande questão é o “non stop”. Imagina aquelas lojas de conveniência do posto de gasolina. Ou um subway. 24h por dia. 7 dias por semana. Você gostaria de trabalhar num lugar assim? Bom, ainda assim você trabalharia um dia de plantão e tiraria dois de folga. Mãe não. Mãe não tem folga. Mãe não tem fim de semana. Mãe não tem feriado. Mãe não tem nem dia das mães. Mãe trabalha no subway sempre. Forever. E seus clientes são exigentes e altamente dependentes e chorões.

Nada te prepara pra isso.

Não tem exercício físico que dê conta.

Você sai da gravidez já entra no parto, já entra no pós parto, depois já entra noite adentro por vários e vários longos meses de sua vida, quando não anos. A tia Dany corria feito louca em volta da piscina, cansava os meninos e ela mesma durante um fim de semana. Depois ia pra casa fazer maratona de friends e dormir 3 dias seguidos. A mamãe Dany não pode fazer isso. E não quer fazer isso. É uma coisa muito louca que o teu cliente no subway é exigente, dependente, chora alto e faz um cocô fedido que você terá que limpar, mas você não consegue viver sem ele. Você não consegue passar um minuto sem pensar nele. Você vive mas seu coração agora está fora do seu corpo. Está batendo a 150 bpm num corpinho cheio de dobrinhas ali no berço. E você não consegue nem tirar uma soneca sem sonhar com ele. Sem acordar pensando nele. De repente as necessidades dele são mais importantes que as suas. Você que sempre foi tão independente agora se vê completamente deixada de lado, por você mesma. Unhas, depilação, refeições, banhos, tudo isso fica em segundo plano. Meu bebê é mais importante. E isso ninguém pode te explicar, tia nenhuma consegue sentir, pai nenhum no mundo consegue vislumbrar o tamanho do amor e da doação de uma mãe. Só na prática.

  • É exatamente como me sinto, em um trabalho de 24 horas eterno! Eu fiz meu blog para tentar ajudar outras pessoas a lidar com a maternidade real, pois eu fui pega totalmente de surpresa. Mas acho que é como você falou, não adianta outra pessoa te falar, você só vai saber o que é ser mãe quando for. E garanto que é a maior transformação que uma mulher pode sofrer. Antes de ser mãe não fazia ideia da complexidade da maternidade. Até hoje não acostumei com isso tudo e acho que é por isso que preciso escrever sobre isso… bjs

    • é vero!!! esse negócio de blog proporciona uma catarse boa de se fazer né não? a gente fala, se ouve, se entende, se perdoa, se aprimora. a nós mesmas. e umas às outras! Vamos juntas!!! bjoooooooo