Frida

Fomos na exposição da Frida. ô coisa mais linda!

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A exposição chamada “Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México“, está em Brasília e eu não podia deixar de ir com minha pequena Frida.

Parênteses, pra quem ainda não viu, fizemos um ensaio fotográfico de grandes personalidades (tem fotinha no instagram!) e minha linda Giovanna foi a Frida! Gracias à linda fotógrafa Ana Valéria (ti-vó), pelo trabalho! Então já somos chegadas, eu, Frida e Giovanna! kkk

Frida - Giovanna - para post

Fecha parênteses.

Além de aproveitar a oportunidade pra uma saída cultural com as crianças (adoro levar eles pra um museu), a Frida sempre me inspirou, me chamou a atenção. Não sei se pelas cores fortes, se pelas saias lindas e flores no cabelo, ou se pela coragem de ser quem ela é, com todos os pêlos do rosto!

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Olhe para si mesma

Não sou tão entendida de arte, me perdoem, mas Frida foi uma grande mulher, pra mim, por ter tido gana de viver a vida, apesar de seus percalços. Quem aqui nunca teve percalços na vida? A gente pode não ter tido poliomelite mas a vida nunca é do jeito que a gente queria né não? Sei, sei, parece reclamar de barriga cheia e muitas vezes a gente nem assume esses pensamentos (ou muitas vezes mesmo sabendo que temos tudo somos pressionados a ter esses pensamentos) mas aquela história de que a grama do vizinho sempre é mais verde é um mal comum hoje em dia! Talvez porque estamos muito acostumados a olhar pra fora, pra grama do vizinho, pra BMW do vizinho e pras fotos da praia no facebook daquele seu amigo. Aquela praia que você não foi. Aquela BMW que você não tem. E assim, sem perceber acabamos focando na escassez, dia após dia, em tudo.

Talvez por ter ficado presa em uma cama por tanto tempo Frida não podia olhar a BMW na garagem do vizinho e acabou sendo forçada a olhar pra si mesma. Talvez por ter tido polio e ter ficado manca, ela já não se importasse com as roupas da moda ou com o que os outros achavam que era “bonito”. Ela queria se sentir bonita, então ela se sentia bonita. E gente, é simples assim. Simples e complicado, como tudo na vida. Mas é simples assim!

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Se a gente quer ser bonita, basta a gente se sentir bonita. Assumir nós mesmas, assumir nosso corpo, nosso rosto, nosso cheiro, ser como somos. Não ficar tentando disfarçar, emagrecer, aumentar aqui e diminuir lá. Simplesmente ser. Porque ninguém é exatamente como você é. Só você é você. Como os guizados do pequeno príncipe. Nenhuma risada no mundo é igual a sua. E a primeira pessoa que tem que se apaixonar por você é você mesma!

Como a Frida fez. Eu acho né, afinal de contas quem sou eu pra saber?! kkk

Frida - para post

Mas pra mim ela é um exemplo de mulher maravilha! Diva! Deusa do Olimpo mexicano! Ela sabia quem ela era e ela gostava de quem ela era. Do jeito que ela era. Mesmo com seus “defeitos” (quem tem defeito é liquidificador, by the way, seres humanos tem características!), mesmo com suas dificuldades, mesmo com suas sombras. Vemos claramente um lado meio sombrio em alguns de seus quadros. Foram as doenças, os acidentes, os abortos, e as caveiras do México que eu ainda não entendi de onde vem mas que são características da região tanto quanto a tequila!

Enfrente seu medo

Curadoria do evento explica tudo, mas mesmo antes de ler as plaquinhas eu já havia entendido. Frida foi uma grande mulher por não ter tido medo de quem ela era e de quem poderia ser. Aliás, corrijo-me. Por ter tido medo e ter enfrentado esse medo, como todo grande herói ou heroína. Como eu digo pros meninos quando eles não querem ir ao banheiro sozinhos de noite porque estão vendo um monstro no corredor. (tenta dizer pra eles que não tem monstro?! adianta?)

Quando você ver o monstro, conversa com ele, chama ele pra sentar na escada, pra bater um papo. Se ele tiver gritando fala pra ele se acalmar e pergunta: o que foi? porque você está gritando? o que aconteceu? Você está com raiva? tá com fome? tá com medo? às vezes a gente grita porque tá com raiva e isso é normal, ou às vezes tá com dodói. Pergunta se o monstro não quer um sanduíche?! às vezes ele tá gritando de fome, basta você oferecer uma comida pra ele, ele se acalma.

Normalmente quando a gente enfrenta o medo, a gente vê que o monstro é muito menor do que havíamos imaginado. É um grande caminho de crescimento!

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Cortina de loucura

Tem uma citação dela que eu acho simplesmente fantástica:

Eu gostaria de poder fazer o que eu quisesse por trás da cortina de “loucura”. Então: eu faria arranjos de flores, o dia inteiro, eu pintaria; dor, amor e ternura, eu iria rir tanto quanto eu quisesse da estupidez dos outros, e todos iriam dizer: “Coitada , ela é louca” (Acima de tudo, gostaria de rir da minha própria estupidez.) Eu iria construir meu mundo que, embora eu estivesse vivendo nele, estaria de acordo com todos os mundos. O dia, ou a hora ou o minuto que eu vivesse seria meu e de todos os outros – a minha loucura não seria uma fuga da “realidade”.

Todos estamos criando nossos próprios mundos mas nem todos tem consciência disso, e é muito fácil rotular o diferente de louco ou de errado ou de seja lá o que for. Assumir nossa “loucura”, enfrentar olhares, críticas, com a mesma leveza com que se enfrenta elogios e oblações, sabendo que nenhum dos dois é real, nenhum dos dois é necessário! Poder ser quem você é, sem precisar montar um espetáculo para os outros verem. Esse é outro grande caminho de crescimento que ela nos traz.

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Chamada de surrealista, ela rebate dizendo que apenas pintava sua própria realidade, ela pintava o que ela tinha como verdade pra ela mesma! Ela, assim como sua arte, apenas era. Sem pretensões.



Que coragem! Que exemplo! Nós como mães precisamos treinar mais essa habilidade, ao invés de se preocupar em criar o bebê dos outros, como no vídeo viral do facebook, devíamos criar o nosso bebê, devíamos aprender com a maternidade e apenas fazer a nossa parte em auxiliar o desenvolvimento desse outro ser, tendo muito mais gratidão (do que sentimento de posse) por ele ser constantemente nosso mestre, e nos ajudar no nosso próprio caminho de crescimento!

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Poder amamentar Isabella durante a exposição foi maravilhoso! Me senti conectada com ela e com todas as mulheres divas surrealistas realistas do México e do mundo, conectada ao feminino, conectada à minha filha e a todas as mulheres divas que ainda estão por vir! Orgulho de ser mulher! Orgulho de ser quem eu sou!

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E pra encerrar o post, fotinha com minha mãe e minhas filhas! Viva às mulheres poderosas como eu e você!