Você está dirigindo em Londres?

Gosto dessas teorias que dizem que nós temos mais que um só centro… eu mesma me vejo com 57 mil Danys falando na minha cabeça a cada instante (sou louca não, viu, gente? inclusive já ouvi dizer que falar consigo mesma é sinal de genialidade… hehehe! Não sei se fui eu quem disse isso também… muita gente falando na minha cabeça… kkk).

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Enfim, existe uma teoria que diz que temos 3 grandes centros de inteligência, e se você for pensar faz sentido, que são o centro físico, o emocional e o intelectual. São mesmo 3 grandes partes de um todo que somos.

“Qualquer habilidade, por exemplo, dirigir um carro, precisa ser aprendida primeiro com o centro mental, que a seguir ensina o centro motor e o treina por repetição, o emocional funcionando como motivador. A partir daí, é o centro motor que calcula e coordena os movimentos. Não podemos usar o centro mental para manobrar o carro pois é lento demais e não agiríamos a tempo no trânsito. O mesmo se dá ao andar ou dançar: uma vez aprendido um movimento, não precisamos mais pensar nele.”

Nathan Bernier, O eneagrama – símbolo de tudo e de todas as coisas

Agora fiquei pensando em como nossas ações do dia-a-dia são regidas por esses aprendizados que fizemos sei lá a quanto tempo atrás?!

Isso pode ser muito útil e de fato nos economiza muito tempo! Como trocar uma fralda, coisa que no começo parece tarefa sobre-humana de realizar em um boneco no curso de gestantes… quiçá em um ser humano molenga e miúdo que você morre de medo de levantar a perna e quebrar a coluna… mas quando você vê, já tá trocando fralda em 2 minutos de madrugada cambaleando de sono e sem nem precisar acender a luz!

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Porém, e quando esse sistema se volta contra nós mesmas? E quando lavamos o menino com álcool em gel a cada encostar de uma mão estranha toda vez que saímos de casa? E quando deixamos de fazer um passeio no fim de semana e aproveitar a família reunida porque temos medo de sair de casa com o bebê? E quando ligamos desesperadas pro pediatra a cada suspeita de tosse?

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Como mãe, temos que sobreviver, temos que achar um jeito de chegar ao fim do dia com a cria viva, comida e banhada nos braços. E nem sempre é fácil, nem sempre temos a solução, nem sempre ensinaram no curso de gestante pra gente o que fazer! Na verdade quase nunca temos a solução! Quase nunca nos sentimos preparadas! E ainda assim temos que chegar ao fim do dia. Então nossos centros de inteligência trabalham feito loucos e ainda mais motivados pelo coquetel de hormônios que está correndo no nosso sangue, disparando tudo quanto é tipo de emoção (seja ela verdadeira ou não) que dispara tudo quanto é tipo de pensamento (seja ele verdadeiro ou não) e nós, tolinhas, humanas, muitas vezes ACREDITAMOS nesses pensamentos! Ou seja, nos IDENTIFICAMOS com essas histórias que contamos pra nós mesmas, vestimos a carapuça desse personagem, a máscara de mãe que nossos centros bolaram naquele dia e simbora fazer papinha e dar peito e lavar a louça!

É tanta tarefa que não paramos pra pensar no modus operandi das parada! A gente simplesmente precisa sobreviver. Chegar ao fim do dia. E fazemos loucuras como lavar a criatura inteirinha em álcool em gel assim que saímos do carro, e assim que entramos no shopping, e assim que saímos da loja, e de novo ao sair do fraldário… e por aí vai…

Se álcool tirasse a cor o menino chegava em casa transparente!!! É ou não é?

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E sorrateiramente, sem que a gente se dê conta, APRENDEMOS a fazer assim, como se esse fosse o único caminho a ser seguido. Uma coisa que aconteceu sem a gente pensar direito de repente vira a norma e a gente faz já no automático, como andar, dançar, dirigir… e normalmente não questionamos as coisas que já fazemos no automático. Não paramos pra pensar se o álcool é mesmo necessário agora que a criança está com 1 ano e meio e já não leva mais as coisas à boca (não pensamos nem quando a criança tinha um mês e AINDA não levava as coisas à boca…). Não paramos pra pensar se uma saída no fim de semana realmente é impossível com o bebê! Em algum momento no passado nós decidimos que era. E pronto. Não questionamos essas nossas verdades. E é justamente isso que eu quero te incentivar a fazer: QUESTIONAR as suas verdades!

Uma coisa que foi verdade pra você 1 semana depois do parto pode já não ser verdade 1 mês depois do parto ou 1 ano depois do parto… nossos filhos crescem e nós precisamos crescer com eles! Pode ser que você tenha a crença de que é uma mãe desajeitada, ou a crença de que seu filho vive ficando doente, ou talvez a crença que seu filho é difícil porque puxou o lado do pai… agora me diga, quando foi que você decidiu que isso era verdade? Quando foi que você contou pra você mesma essa história pela primeira vez? Quando foi que você vestiu essa máscara?

Sem julgamentos! Não precisa nem me contar nos comentários! Quero que você responda essa pergunta pra si mesma! Faça essa reflexão e se liberte das histórias do passado! Com certeza você tomou a melhor decisão que poderia ter tomado com as informações que você tinha disponíveis no momento! Não precisa se criticar dizendo que “eu não sabia o que estava fazendo”… nem precisa se justificar dizendo que “todo mundo que eu conheço faz assim”… Apenas faça uma reflexão. Honesta. Sincera. Pessoal.

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Depois se pergunte: será que você precisa dessa máscara hoje? Será que esse mecanismo de defesa, hoje, continua te ajudando ou está te atrapalhando? Será que essa atitude virou uma muleta na sua vida? Será que as coisas seriam mais fáceis se você agisse de forma diferente?

Muitas vezes ficamos presos a um comportamento, como um reflexo, como um passinho de dança que foi aprendido há muito tempo atrás e sempre que ouvimos aquela melodia o negócio volta nas nossas pernas sem que saibamos como nem por quê! Às vezes isso é bom, como quando dirigimos um carro. Economiza tempo. Mas às vezes as circunstâncias mudam e precisamos mudar junto com elas. Como dirigir um carro em Londres, onde as faixas são invertidas e a mão que vai não fica pra direita e sim pra esquerda! Imagina continuar no automático por lá? Acidente na certa!

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Analise suas respostas e, se quiser, mude. Ou permaneça a mesma. A escolha é sua. Talvez a melhor coisa a fazer seja continuar a fazer o que você já está fazendo. Tudo bem. Após essa reflexão sincera com certeza você terá mais convicção de que está no caminho certo!

Afinal, somos livres para sermos quem quisermos ser.

Com certeza você será uma pessoa mais leve depois de repensar suas atitudes do dia-a-dia!

  • Handula

    Muito legal o texto…adoreiii!!!

    • Obrigada Handula! Fico feliz que vc gostou!