Parto e amamentação. Faz diferença pra você?

Encerrando a Semana Mundial do Aleitamento Materno, pensei em dividir com vocês as minhas experiências com a amamentação logo após o parto.

Três partos.

Três momentos diferentes.

Três mulheres diferentes (sim, porque a gente muda ao longo do tempo, o parto te muda, a maternidade te muda).

Em todos eu pude amamentar. Parece que foi tudo igual. Só que não.

Davi, meu mais velho, tinha tudo pra nascer de parto normal, só que na última hora virou cesárea. Eu era inexperiente. Confiei no sistema. Queria o melhor pro meu filho, como toda mãe!

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No meu parto hospitalar eu fiquei presa a uma cama de recuperação e só pude ver meu filho com todo o olhar que uma mãe merece dar após quase 2 horas do parto. E quando ele finalmente chegou aos meus braços, já todo empacotado, eu não podia levantar da cama e nem levantar a cabeça. Nem um travesseirinho não podiam colocar pra mim por causa da anestesia, me disseram. Então tive que amamentar deitada, completamente deitada. Desconforto é pouco. Pra uma mãe de primeira viagem, que não sabe direito o que tá fazendo, que não sabe o que é “pega”, que não sabe se o bebê tá mamando, se o leite tá descendo, se ele tá sufocando… não foi fácil. Mas você está feliz e radiante porque afinal de contas, você sobreviveu! Seu bebê também! Estão todos vivos e bem e o pior já passou! Agora é só lamber a cria! Coisa que você só vai fazer após algumas horas, quando resolverem te liberar pra subir pro quarto. Até então você está numa sala de recuperação com mil pessoas que acabaram de fazer cirurgia de tudo quanto é tipo também deitadas em macas ao seu redor. Estranhos. Pessoas adoentadas que você nunca viu na vida. E você – sozinha – com seu bebê. Não são permitidas visitas na sala de recuperação. Se deixarem o marido ficar com você (apesar de ser direito seu garantido por lei – considere-se abençoada. Não são todas que conseguem. Só ao chegar no quarto é que você pode tirar a roupinha do bebê e ver o pingulim pela primeira vez, ou a ausência de pingulim caso seja uma menina… só então que você pode contar todos os dedos do pé dele e ver como Deus é perfeito! Acariciar a sua pele e sentir seu cheirinho, e deixar que ele faça aquele contato corpo-a-corpo  que é tão importante pro seu desenvolvimento! Peladinho no seu colo, você sem blusa, um sentindo o cheirinho do outro! Tão bom! Mas num demora muito não, viu, porque daqui a pouco entra outra enfermeira pra tirar sua pressão, te dar remédio, levar bandeja, trazer bandeja ou sei lá o quê! Além disso, ô hospital frio do cão né não gente? É judiação com o bebê deixar ele peladinho assim! Cobre logo! Coloca body, calça, casaco, luva, touca! O importante é que ele sabe que você o ama!

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Sim, isso é importante. Sim, você o ama desesperadamente! Sim, você faria tudo de novo se te dissessem que ele está em risco. Você é capaz de matar ou morrer pelo seu filho. Eu entendo. Mas não me diga que não faz diferença o tipo de parto. Não me diga que o local não faz diferença. Não me diga que esses primeiros minutos, ou as primeiras horas de vida do bebê não fazem diferença.

1 ano e 9 meses depois eu tive a oportunidade de ter outra experiência parecida. Mas totalmente diferente. Parecida porque tinha eu e um bebê igual da outra vez. Totalmente diferente por causa do resto todo!

Giovanna nasceu em casa, com Paloma acompanhando todo seu pré-natal e parto. Não tinha ninguém estranho na sala de parto (que era a minha sala, aliás, o corredor…kkk), não tinha um ambiente estranho e eu não estava preocupada se havia esquecido de colocar algo na mala de maternidade. Tudo que era meu estava ali.

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Imediatamente após nascer Giovanna veio pros meus braços, e pro meu peito. IMEDIATAMENTE. Sem perda de tempo ou sem mais delonga; de imediato. A placenta ainda não tinha nascido e ela estava mamando. Fominha. Sempre foi. Não sei pra você mas pra mim isso fez toda a diferença. Mas tiveram outras diferenças também. A sala lá de casa estava quentinha, era perto de meio dia então só cobrimos ela com um paninho e ela ficou pele-a-pele comigo um bom tempo. Pude sentir seu cheiro, pude ver seu cordão umbilical saindo da barriguinha (sim sou curiosa e nunca tinha visto como era esse negócio…) pude contar seus dedos dos pés e observar suas mãos enrrugadinhas. Pude amá-la. Pude fazer um imprinting lindo e cheiroso, e ela em mim. Também não tive estranhos me chamando de “mãezinha” e dizendo que eu tava fazendo isso ou aquilo errado. Tive uma equipe maravilhosa que me acolheu e me acompanhou durante toda a gestação, tive inclusive meu filho mais velho participando de todo o parto, tendo sua oportunidade de conhecer a irmã, de conhecer por onde saem os bebês, de ver que parto dói, mas passa, de saber que a alegria é grande demais pra caber numa sala fria de hospital. Ele teve a chance de também fazer seu imprinting na irmãzinha, e de ganhar o título de irmão mais velho, de uma hora pra outra. Emoção demais pra um bebê de 1 ano e 9 meses absorver. Imagina se ele estivesse longe da mãe? Imagina se eu tivesse parindo e tendo que me preocupar se ele tá bem lá longe de mim? Não sei você mas meu coração não aguenta não… tive minhas crias todas por perto nesse momento tão transformador da vida de nós todos.

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Mas voltando pra amamentação, no peito ela estava, e no peito ela permaneceu. Mamava, dormia, acordava, mamava de novo. Eu fiquei muito mais tranquila por saber que ela estava bem ali, do meu lado, no meu colo, sempre. Tivemos toda a assistência necessária, todo mundo estava sendo monitorado, eu, ela, a placenta, o irmão mais velho… e todo mundo estava bem. Graças a Deus. Igualzinho da primeira vez. Só que não. Tinha uma relação de amizade e confiança entre a parteira e nossa família. Tinha um ambiente quentinho e acolhedor tanto pra mim quanto pro bebê, e não um centro cirúrgico frio e um possível risco de infecção hospitalar. Eu tinha a minha cama, as minhas roupas, o meu travesseiro, o meu chuveiro. Não sei você, mas pra mim isso fez muita diferença.

E eis que exatos 1 ano e 9 meses depois lá estávamos nós de novo, parindo em casa, com dois filhos mais velhos e (quase) a mesma equipe de parteiras que nos atendeu da última vez. Paloma, minha querida parteira, não estava no Brasil e não pôde acompanhar nosso pré-natal, então fomos atendidos pela então parteira auxiliar, Ana Chyntia, agora parteira principal, e Iara do Luz de Candeeiro.

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Dessa vez foi repeteco. Isabella mal nasceu já veio pro meu peito. Como ela nasceu na minha cama por lá mesmo eu já fiquei. A equipe muito gentilmente trocou a roupa de cama comigo ainda deitada (ô povo hábil!) e travesseiros estavam disponíveis sem restrições! Sentei bem almofadada por todos os lados quando chegou a hora de cortar o cordão umbilical (quando ele já havia parado de pulsar, um bom tempo depois do parto), e enquanto Isabella mamava e Giovanna observava, Davi, o irmão mais velho, foi quem fez as honras da casa! Não sei você, mas isso pra mim fez toda a diferença!

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Ficamos namorando uma à outra até sei lá quando… até hoje

Ela não foi tirada dos meus braços. Ela não foi esfregada, aspirada, furada nem nada do tipo… ela simplesmente nasceu. Na sua casa. Na paz do seu lar.

Assim como os bebês nascem naturalmente, a amamentação também acontece naturalmente. Na maioria dos casos. A gente é que complica!

Os três mamaram exclusivamente até os seis meses e complementar até pouco mais de um ano. Isabella mama até hoje. Sei que a via de parto não faz diferença nenhuma no tamanho do amor que eu sinto por cada um deles. Também não faz diferença na amamentação. Mas faz diferença no resto todo. E isso faz diferença pra mim.

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