Mãe é tudo igual, só muda de endereço?

Como você lida com o medo? Aliás, como você lida com as situações estressantes do dia-a-dia? Qual a sua resposta instintiva para algo que lhe pega de surpresa?

Sabe essas coisas que nuuuunca acontecem na vida de mãe, tipo o menino acordar doente, você perder a chave do carro quando já tá todo mundo pronto na porta pra sair, a faxineira ligar de manhã avisando que não vai hoje, a chuva no meio do passeio, e por aí vai…
Esse tipo de coisa que deixa qualquer mãe em parafuso… e se o bebê começa a chorar então.. aí lascou-se… o nível de stress pula de alto para intolerável!

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E o que você faz depois disso? Puxa uma cadeira aí e dá uma lida nesse texto:

O medo nosso de cada dia

O primeiro instinto vital é o da sobrevivência. Por isso os mamíferos humanos — quando nascem saudáveis — tentam respirar, então tratam de mamar para se alimentar e, depois, procuram proteção para não serem devorados pelos predadores. Por outro lado, também dispõem de ferramentas que os avisam quando há perigo. Um instrumento eficaz, embora não disponhamos de uma avaliação confiável de sua extensão — ao contrário do que acontece com o ato de respirar ou a necessidade de comer — é o medo.

 

O medo nos avisa que temos de estar em estado de alerta, que corremos perigo e que é necessário procurar refúgio. O interessante é que cada indivíduo “organiza” sua maneira de encontrar segurança de acordo com um estilo básico muito pessoal.

 

Algumas pessoas se sentem seguras quando atacam primeiro, quando conseguem exibir suas terríveis garras e seus dentes afiados antes de qualquer movimento do adversário. Outras se sentem seguras quando têm suas necessidades básicas atendidas: se estão alimentadas e dormiram bem, não poderão ser vítimas de nenhum mal. Às vezes, diante do perigo, não conseguem parar de pensar, de trocar ideias, de refletir e de querer encontrar explicações para cada coisa. Só se acalmam quando compreendem o que está acontecendo. Em outras ocasiões, sentem que a única maneira de se proteger é ficando em casa, sem sair, sem se relacionar com ninguém… e adicionando fechaduras e portas blindadas ao seu lar. Outras enfrentam o perigo, mostram-se altivas e corajosas.

 

No entanto, alguns indivíduos se defendem refugiando-se em alguma obsessão da qual não conseguem se livrar. Outras delegam a responsabilidade da defesa de suas fronteiras àqueles que acham que serão capazes de assumir tamanha responsabilidade. Algumas acreditam que a situação requer que assumam todo o controle e que é necessário que se envolvam de maneira absoluta, empenhando toda a vida na própria defesa. Outras simplesmente se recusam a ver, são otimistas crônicos que não dão importância aos sinais de perigo. Algumas pessoas acham que estão seguras porque são corretas e trabalham concretamente para resolver os problemas. E há aquelas que se sentem seguras quando deixam de frequentar todos os lugares habituais. Para terminar, também existem aquelas que só confiam em suas percepções e só se sentem seguras quando sonham. Ou quando estão acordadas, mas com um copo de bebida alcoólica na mão.

 

Ou seja, todo mundo tem medo. E todos também dispõem de um mecanismo para mitigar esses medos — reais ou imaginários. Só que é difícil perceber como o outro encara o medo, porque sua maneira é, habitualmente, diferente da nossa. Entretanto, isso não significa que os outros não tenham medo ou que não recorram a artifícios para enfrentá-lo.

 

Por outro lado, muitas pessoas se sentem seguras quando percebem que seus medos e seus mecanismos de defesa se assemelham muito ao medo dos demais. É assim que surgem os medos coletivos, sustentados em fatos reais e alimentados por múltiplas reações individuais que vão formando uma cadeia compacta, que tem uma única maneira de se expressar, se defender, nomear, mostrar, se resguardar ou lutar. Afinal, nunca sabemos se o medo é próprio ou alheio. Se estamos ou não em uma situação de perigo. E se contamos com ferramentas confiáveis para que possamos diferenciar os riscos reais das inseguranças pessoais. 

Laura Gutman – trecho do livro Mulheres Visíveis, Mães Invisíveis

Além desse texto ser da Laura Gutman – sempre uma ótima leitura – gosto muito da análise que ela faz em cima das diferentes respostas de cada pessoa. Cada mãe pode ter uma reação diferente às situações que elenquei lá em cima… e cada uma de nós provavelmente reage de um jeito diferente mesmo. Estamos unidas no stress, conseguimos nos identificar na ansiedade uma da outra, sentimos empatia e conexão com o medo e com o amor que todas nós sentimos, pois esses são sentimentos que todas nós (mães, seres humanos) temos!

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E é nisso que devemos mesmo focar!
O problema é que saímos do sentimento e vamos pro comportamento… e normalmente não fazemos isso de forma saudável, de forma a agregar valor na nossa própria caminhada. Fazemos isso comparando comportamentos. Fazemos isso depreciando, ou ela ou eu.
Olhamos pra grama do vizinho e achamos que tudo lá é mais verde! Olhamos pro bebê da vizinha e achamos que ele nunca fica doente enquanto que o meu vive com o nariz escorrendo…

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Ou então achamos que aquela mãe é uma irresponsável por deixar o menino comer bolacha no parquinho, afinal de contas o meu filho sabe que não deve comer entre as refeições e isso aí é só tentação pro meu pobre coitado! Não dá nem pra levar o menino pro parquinho mais, meu Deus…

Eu já falei sobre a importância de não compararmos os nossos bastidores com o palco dos outros nesse vídeo aqui, mas quero aprofundar a discussão!

Se você olhar mais a fundo pro que está passando no coração daquela mãe no parquinho, você pode ver uma mulher cansada, angustiada, sem saber o que fazer… e com certeza aquela vizinha do bebê-propaganda-imunidade-alta deve ter seus esqueletos no armário também, assim como eu e você!
Levanta a mão quem nunca chegou num nível de cansaço tão alto, tão alto, pq era tanto choro, tanto cansaço, tanta louça na pia, que acabou dando uns biscoito pro muleke só pra vc conseguir sobreviver e terminar o almoço… e levanta a mão quem nunca pregou aos 7 ventos no shopping q macarrão não é almoço mas q em casa já fez macarrão pro almoço?

Tá me entendendo? Não é no comportamento que geramos empatia, não é dissecando o que cada uma fez de certo ou de errado que crescemos como mães, como mulheres, como pessoas!

Até porque se tem uma coisa que a maternidade me ensinou é que não existe certo e errado

É na emoção por trás do comportamento que encontramos um lugar comum! É no olhar profundo que enxergamos a real maternidade de uma mulher, e a nossa. No fundo, no fundo, somos todas iguais. Queremos o melhor pro nosso filho, e fazemos o melhor que damos conta com as ferramentas que temos disponíveis! Às vezes só conseguimos pensar em como sobreviver as próximas horas até o marido chegar do trabalho… às vezes compramos os mais diversos tipos de equipamentos tecnológicos que prometem diversão, segurança e desenvolvimento cognitivo tudo de uma só vez!!! Só o melhor pro meu bebê! É ou não é? Isso faz de nós mães terríveis, mães maravilhosas, mães que mimam os filhos, mães desleixadas? Acho que isso faz de nós apenas mães. É no “querer bem aos nossos filhos” que nos encontramos.

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Vamos então olhar para aquela mãe que a gente acha que é “melhor” que a gente, e ver simplesmente uma mãe que está dando o seu melhor? E que tal olhar para aquela louca descabelada do parquinho também da mesma forma? Todas temos um dia em q o cabelo simplesmente não coopera conosco… mas o amor pelos nossos bebês está sempre presente!

#maisamorporfavor

  • Muitoo bom artigo, vou acompanhar mais esse site, parabens pelo conteudo !!! Obrigadaa!!!

    • Obrigada pelo carinho!

  • Ótimo artigo, bastante esclarecedor, vou começar a seguir mais esse site!!! Muito Obrigada !!! 😀

    • Obrigada Jéssica! Que bom que você gostou! Cadastre seu e-mail para receber novidades! Tem muita coisa boa no forno por aqui!!!
      um abraço!

      • I aprtaciepe you taking to time to contribute That’s very helpful.

  • Leh

    Otimo artigo parabens pessoas,vou colocar como favorito o sitee !!! Muito bom o conteudo!!!

    • Obrigada Leh!

  • Michelle Tibana

    Dani, amei o texto, me identifiquei muito, amei a citação sobre nossos medos, é legal vermos que não estamos sós em nossos temores, que aquela pessoa que nos parece ser sempre tão acertiva e corajosa tem seus receios, e isso não representa fraqueza e sim instinto de congênito sobrevivência! Gostei muito de como “linkou” a reflexão á vivência materna, são tantos julgamentos que nos revestimos de uma carapaça sem querer mostrar nossas fraquezas, né? Quantas vezes eu mesma julguei e ainda julgo?
    No entanto, temos que estar em constate evolução, eu era um tipo de “mãe” antes de ser mãe, quando me tornei mãe de fato, vi um mundo diferente do utópico -muito diferente, diga-se de passagem, rs…e como mudei com o segundo filho, existem poucos resquícios da mãe de primeira viagem kkk
    Hoje penso que o importante é realmente estar de peito e mente abertos, entender que não há fórmula bem manual, cada pessoa é única e vive a sua realidade ante as suas próprias limitações.

    • Com certeza Michelle, a maternidade chega atropelando a gente e a mãe que a gente achava que era antes de ser mãe, se foi junto com a ilusão de que iríamos ler no hospital enquanto esperava o bebê nascer… sinto que a cada dia há um luto por uma dessas “mães” que eu achava que era e que hoje deu lugar a uma nova “mãe”. Uma nova mulher, com um novo entendimento da vida, dos filhos, de si mesma e das outras mulheres que também passam por essa experiência… e das mulheres que ainda não passaram… e das mulheres que já passaram a 50 anos atrás… sinto que há um entendimento muito mais abrangente e compassivo. Estamos todas juntas na caminhada, embora cada uma vivendo uma realidade e um momento diferente. Fico feliz que gostou do texto! Gratidão!