Adaptação Traumática

Eis que Davi foi pra escola! Pela primeira vez… sinto que adentramos um mundo novo agora, uma nova fase do vídeo-game em que não tem mais troca de fralda e choro de madrugada (glória a Deus) mas tem joelho ralado, e festa do pijama na casa dos amiguinhos. O círculo de convivência dele aumentou drasticamente de papai e mamãe (e alguns familiares mais próximos) para professoras e coleguinhas e pais e mães de amiguinhos! Já não consigo mais ter os relatórios completos de como foi seu dia… antes ele estava sempre com o pai ou com a avó, quando não estava comigo, então eu sabia exatamente o que ele tinha comido, de que tinha brincado e quanto tempo havia dormido. Conseguia ter detalhes de seu humor e do que havia feito, se estava cansado, entediado, animado… Ele era meu e eu (achava) que possuía total controle sobre ele. Pode parecer forte essa expressão mas era meio assim que eu sentia… eu pari o meninu, ele saiu de mim completamente indefeso e dependente de meu colo e de meu leite.. e agora na volta da escola pra casa eu fico sabendo de relance que ele foi mordido por 2 formigas cortadeiras, mas tá tudo bem porque ele é forte e tirou as formigas do pé e voltou a brincar na areia! (pausa pra eu me recompor…) Depois de me contar essa aventura pelo parque fico sem saber o que mais rolou no dia (fico até com medo de perguntar depois da história da formiga…) e de fato o seu dia foi apenas seu. Não mais meu.  Minhas ansiedades co-dependentes vão ter que se virar com alguma série no netflix porque o menino não vai me contar muito mais que isso não…

Sim a professora é um anjo na terra e me conta como ele está, me liga quando há algum incidente mais grave (não, picadas de formiga não são graves.. até eu – quando estou calma – sei disso) e eu sei por alto qual atividade será desenvolvida naquele dia de acordo com o calendário. Mas não é a mesma coisa… nunca mais será a mesma coisa…

Meu menininho está crescendo e eu estou tendo que lidar com essa nova avalanche de emoções e hormônios que inundam meu ser como foi no parto! Quando ele nasceu minha vida nunca mais seria a mesma e a adaptação à nova rotina e às novas necessidades foi linda e traumática! Como todas as adaptações são eu acho… kkk há uma ruptura, algumas coisas que sempre foram agora já não são mais e isso dói. Nunca mais pude almoçar na frente da TV por exemplo (sim, eu era dessas) porque agora tinha que amamentar, depois dar papinha e depois dar exemplo…

Há uma beleza indescritível na minha nova vida depois do Davi, mas houve um luto pela minha vida e minha rotina que morreram ao mesmo tempo em que ele nasceu! Reconhecer isso é importante para o processo. Aceitar que algumas coisas se vão e outras vem… novas coisas! Talvez melhores, talvez nem tanto, mas diferentes com certeza! E não adianta chorar pelo leite derramado e querer que a vida nova seja como era na rotina velha… esse tempo já passou. O que nos resta é abraçar o presente e ver o lado positivo de tudo!

Por isso acho que a entrada na escolinha é um processo também traumático e lindo! Estou dizendo adeus para meu bebê (que no meu caso já não é mais um bebê faz tempo…), estou novamente dando à luz, entregando meu filho para a luz, para o conhecimento, para as artes, para a comunidade, para novas vivências, para novas amizades, para tristezas, alegrias, injustiças e incertezas, para a vida!

Davi, meu amor, que você seja muito feliz!!! Mamãe te ama! Sempre!

primeiro dia de aula do Davi