Histórias de Empreendedorismo Materno: Rafaela Araujoo

Bom dia mães divas que acordaram hoje com vontade de mudar o mundo! Vamos nos inspirar com essa história linda de empreendedorismo materno? Empreendedorismo com propósito! Empreendedorismo que muda o mundo!

Hoje quero partilhar com vocês a história da Rafa, criadora das bonecas Parideiras! Essas bonecas são realmente muito especiais. Rafaela é enfermeira pela Universidade de Brasília(UNB), mas também atua como Doula e está cursando a especialização em Enfermagem Obstétrica pela Universidade Adventista de São Paulo (UNASP). O Inácio de 1 ano e 8 meses é seu único filho por enquanto, pois ela foi bem clara em dizer que tem planos de ter mais filhos! Essa é das minhas! kkk

Com a palavra, Rafaela Araújo:

Existem várias dificuldades na minha busca por uma vivência consciente da maternidade, e acredito que umas das maiores é a entrega que o processo de ser mãe exige. 
Tenho apoio do meu companheiro, com quem sou casada a 5 anos, e por isso optei por não trabalhar fora nos primeiros 3 anos de vida do Inácio.

Essa não é uma opção fácil, pois crescemos com o modelo da mulher independente e bem sucedida, e os planos e as expectativas são muito altas, então diminuir as cobranças e bancar sem muita pompa e holofotes estar em casa, 24 horas por dia cuidando do pequeno, sem uma rede de apoio muito forte, e com a família morando em outro estado, é um desafio muito grande. 

E vamos buscando nos reinventar e aproveitar os benefícios da escolha.
Quando finalizei a faculdade em 2013, em seguida fui para um curso de imersão com a parteira Mexicana Naolí Vínaver, foram 20 dias de muitas transformações, e retornei do curso com uma clareza de que não queria me enquadrar dentro do sistema, e então começou a busca de como me tornar uma Enfermeira Parteira, trabalhar com parto e nascimento, mas por um caminho de formação mais respeitoso.
Neste período passei a acompanhar partos como aprendiz de parteira da parteira Paloma Terra (que, by the way, é minha parteira também, fez o parto da Giovanna. Já contei um pouco sobre o parto dela aqui), e paralelo a isso, junto a uma amiga também enfermeira, fundei o Grupo Sequóia- Gestar, Parir e Amar
Meu objetivo era oferecer através do trabalho em grupos de educação perinatal e o acompanhamento como Doulas, um espaço e um acompanhamento diferenciado, em que as mulheres e casais tivessem a oportunidade de ter informações esclarecedoras sobre gestação, parto, nascimento e maternidade, porém com um olhar mais aprofundado e entrando em contato com as próprias questões pessoais.
E paralelo ao trabalho de educação perinatal e a doulagem, eu também organizava cursos de profissionais que atuam nessa área, e depois surgiu o Doulando as Doulas, uma proposta que concebi, gestei e pari de formação continuada para Doulas. Pois constantemente era procurada por Doulas que se sentiam muito inseguras com seus acompanhamentos e também via muita falta de ética e imaturidade rolando pela rede, e então montei essa proposta de trabalho. 
E agora, o último projeto que nasceu foram as “Parideiras”, que já estão em gestação a pelo menos 2 anos. Trata-se de um projeto em parceria com a minha mãe.

Eu gesto a ideia, ela pari as bonecas e eu as apresento ao mundo.

Feitas à mão e com o coração, concebidas com coragem, criatividade, amor, carinho, muito prazer e sensibilidade pelas mãos de minha mãe, Eliana Melo, a artesã, costureira, bordadeira, cozinheira, estudante de Direito, e muitas outras coisas mais.

Após uma linda gestação, e um longo e intenso trabalho de parto, essa artífice pariu, uma a uma, as bonecas artesanais de parto natural, brindadas com o nome de Parideiras.

Trazemos ao mundo estas lindas bonecas, como um modo bem nosso de fazer política e despertar consciências.

Convidamos todas e todos a questionarem o processo de medicalização e industrialização do conceber, gestar, parir e maternar em nossa sociedade.

E também ao nomeá-las Parideiras, fazemos um resgate da palavra Parir, como verbo de amor, poder, força e respeito. Não temos do que nos envergonhar, pois Parir é natural!

Ouvindo a querida linguista (e também muitas outras coisas mais) Jaqueline Fiuza, em sua participação no espaço dialogado “Conversas Rehunidas”, que aconteceu na III Conferência de Humanização do Parto e Nascimento, falando sobre a importância e o peso que a palavra Parir tem, me senti profundamente emocionada e tocada, e sim palavras como Parir, Parideira, Parteira, precisam ser parte do nosso mais valoroso e rico vocabulário.

Temos que nos apropriar e nos questionar sobre quais crenças e (pre)conceitos carregam as palavras que utilizamos.

Continuando esta reflexão citamos o trecho do discurso, proferido em 2003 na sede da Associação de Obstetrizes e enfermeiras obstétricas(ABENFO) pela querida Parteira Naolí Vinaver, que através de sua fala nos convida a refletir sobre a importância de nos atentarmos em relação ao uso de nossas palavras:

“A mulher, ou o homem, que se propõe a assistir e auxiliar num parto, inevitavelmente carrega consigo sua visão do corpo feminino e sua relação com a sexualidade. Portanto, numa sociedade onde estas questões são mal resolvidas e o imaginário do corpo feminino e do parto são impregnados de negatividade, foi possível que se criasse e que se mantenha ainda termos e expressões que revelam os valores predominantes. Além do famoso “quem fez seu parto” ou “eu fiz o parto dela”, que remete à passividade da mulher e protagonismo do profissional que atendeu ao parto (é dificílimo ver isso transformado), há toda uma terminologia que cotidianamente escolhemos: somos todos responsáveis de qualquer uso e efeito das palavras.

Naoli Vinaver, 2003

Sabemos dos riscos que corremos, mas viver de modo autêntico, em especial no mundo de hoje é assim, não queremos estar no lugar comum e adequados a norma.

Estamos aqui para viver em plenitude e por isso escolhemos viver de modo artesanal, fazendo a vida assim aos poucos, construindo com nossas próprias mãos, e vivendo de acordo com o que sentimos e acreditamos.

Mais do que uma boneca, trata-se de um modo de ser e viver e acreditar que o mundo pode ser diferente.

Transformando a nossa cultura lá no comecinho… antes mesmo de nascer!

Brincar com uma boneca que foi feita por uma artesã, não por uma máquina.

​Brincar com uma boneca que teve tempo de ser sentida, desejada e sonhada e só depois materializada, feita ponto a ponto, preenchida de vida e com propósito de vir ao mundo revolucionar.

Brincar é um modo de construir e construir-se no mundo, para meninas e meninos, para mulheres e homens, para profissionais da assistência, para todos que acreditam na urgência de transformar a cultura e o olhar sobre o parir no mundo.

Por uma cultura de práticas mais conscientes e conectada aos processos da vida!

Acredito que uma das maiores dificuldades é o retorno financeiro, pois nessa fase inicial tem muito investimento e nem sempre o retorno é tão rápido ou acontece.
Percebo que as pessoas valorizam pouco, digo isso dando o exemplo das bonecas.
As Parideiras- Bonecas artesanais de parto natural, são bonecas muito lindas e especiais, e existe um mercado que demanda por presentes como esses. Nos consultórios de humanização do parto, nos grupos de educação perinatal, para as crianças brincarem e assim desde a infância irem construindo um outro olhar em relação ao parto e o corpo feminino, enfim são muitas possibilidades.
Não é uma simples boneca, ela é especial, as pessoas gostam, até se interessam, mas poucas estão dispostas a pagar o valor de 190 reais, por uma boneca que tem toda essa energia vital.

Então a questão do dinheiro, da valorização do próprio trabalho e sustentar o valor que o seu trabalho tem é uma dos grandes desafios do empreendedorismo. 

Como mãe empreendedora, talvez um dos grandes aprendizados seja administrar o tempo, e não dentro de uma visão clássica de gerenciamento de tempo e sim numa perspectiva existencialista. É importante estar atenta para não me encher de tarefas a ponto de estar em casa, mas com a cabeça o tempo todo no empreendimento.

Estar em casa e estar mesmo, não estar o tempo todo alimentando face, respondendo whatsapp e dizendo…ai meu filho espera só mais um pouquinho que já vou te atender. 

É encontrar esse equilíbrio de: em que momento estou trabalhando e em que momento estou fazendo outras coisas da vida.
Se é possível dar alguma dica, acho que seria pé no chão e sintonia com seu próprio ritmo e coração. 
Se deseja realmente trabalhar como o próprio empreendimento, vá se organizando, construindo aos poucos um caminho enraizado, sem se esquecer de cuidar das finanças. 

Gente, fala sério?! Que história de empreendedorismo materno mais emocionante não é não? Rafa, gratidão pela oportunidade de divulgar seu trabalho aqui no Mãe Multicultural!

Para comprar essas coisas lindas que mudam o mundo, entre em contato com a Rafa:
(61)98135-5013/98481-4727/ 3535-8488
 rafaela.araujoo@gmail.com
  • Conteudo ótimo e artigo sensacional!!! Muitooo Obrigada!!!

  • Eliana Melo

    Parabéns ao Blog Mãe Multicultural!!!!!
    Excelente trabalho, e parabéns a essa jovem Mãe Multicultural Rafa!!!
    Abraços!!!!

    • Obrigada flor! a Rafa é mesmo ótima não é? inspiradora!

  • Rafaela Araújo

    Dani, muito grata por essa linda publicação! Fico realmente emocionada e com um sentimento de gratidão imenso.
    Agora temos que sentar para tomar uma chá ou um café e continuar tecendo mais histórias.
    Beijo grande.
    Abundância para todas nós.
    Namastê!

    • ahahaha, com certeza Rafa! haja café com pão de queijo hein? pra alegrar a vida e colocar as idéias empreendedorísticas em dia, nada melhor! bjo e obrigada pela oportunidade de divulgar seu trabalho lindo! vc nos inspira!