Histórias de Empreendedorismo Materno: Isabella Telles Kahn Stephan

E hoje, pessoal, é dia de mostrar o trabalho e a história de uma diva super inspiradora! A Isabella Telles Kahn Stephan é mãe do Francisco, de 8 anos e do Benjamin, de 2 anos e é autora da marca “Eu te dou a minha Paz” que reúne produções autorais envolvendo desenho, pintura e escrita poética. 

Isabella Stephan é assistente social, arteterapeuta e agora também mãe-empreendedora. É casada com Niklas Stephan, sueco, consultor do UNICEF e fotógrafo profissional. Família sueco-brasileira (#adoro). Formada pela Universidade de Brasília em Serviço Social no ano de 2007, desde então vem trabalhando em regiões administrativas do Distrito Federal em projetos sociais e programas do governo destinados ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade e risco social. Há seis anos é servidora pública da Secretaria de Estado de Saúde do DF e milita no enfrentamento às violências intrafamiliares, em especial quando acometidas contra crianças, adolescentes e mulheres. A “Eu te dou a minha Paz” surgiu então para dar vazão à sensibilidade de Isabella.

Trata-se de uma marca autoral de ilustrações e poesias criadas para transformar

a dureza em flor.

As ilustrações são produzidas por meio de variadas técnicas artísticas, que vão da aquarela ao lettering, passando com vontade pela escrita poética.

Os produtos atualmente disponíveis são os mini-pôsteres em tamanho A5, os pôsteres em tamanho A4, os cartões-poéticos, as poesias em tags, imãs e as encomendas personalizadas. De imagens mentais transformadas em arte à poemas autorais, o intuito de Isabella com a marca foi o de transformar sentimentos em produtos capazes de levar paz, afeto e solidariedade aos cantinhos e vidas das pessoas. Uma excelente opção para presentear (os outros e a si mesmo).

Com a palavra, Isa:
Com a maternidade do meu segundinho, retomei também algo que estava abandonado há certo tempo: a arte! Fiz uma pós graduação, me tornei arteterapeuta junguiana, mas, para além… Voltei a escrever e passei a me entregar intuitivamente à aquarela e à poesia. O resultado foi a minha marca “Eu te dou a minha Paz”!


Qual a maior dificuldade que enfrentou ou enfrenta na maternidade?
 

A experiência da maternidade, pra mim, foi (e tem sido) repleta de grandes desafios. 

Todos os dias, a gente lida com um deles… Tem os saltos de crescimento, picos de desenvolvimento, puerpério, amamentação, desmame, leite que não desce, mastite porque peito encheu demais, desfralde, viroses intermináveis, noites mal-dormidas, os desafios no relacionamento mãe-pai/marido-mulher, as birras e rebeldias e por aí vai. Cada nova fase, uma novidade! 

Mas na parceria, vamos todos nos fortalecendo com as pedras que vão surgindo no caminho. Consigo me lembrar agora, de duas grandes dificuldades: 

1) Foi quando Francisco nasceu. Meu primeiro filho nasceu na Suécia, em pleno outono. Veio de parto normal, após um longo trabalho de parto de 38 horas, que necessitou de uma mega episiotomia e ajuda de fórceps pro bebê nascer. Tive dificuldades de amamentação e um baby blues daqueles. Emendou com a distância dos familiares e amigos, um inverno D-A-Q-U-E-L-E-S e a necessidade de eu, também me adaptar como pessoa, em um país de língua sueca e cultura bem diferente. Foi difícil porque era múltiplas adaptações que precisavam acontecer em concomitância. Quando Francisco tinha 1 ano e 2 meses voltamos para o Brasil, mas hoje já vislumbro novas possibilidades de passar uns tempos por lá – já que o maridão é sueco. 

2) Mortes na família. Francisco presenciou o processo de adoecimento do vovô Sílvio, meu pai. Ele teve câncer de pulmão com metástase óssea. Foram dois anos de luta até que o vovô falecesse. Não foi fácil para mim, nem para meus familiares, nem para ele que acompanhou tudo. Depois teve o falecimento do vovô Wolfgang, meu sogro. Foi de repente e 5 dias antes de irmos para Suécia e ele conhecer o meu mais novo, Benjamin. Meu marido saiu do eixo e também foi um momento de grandes dificuldades. Mas sempre encaramos a morte com naturalidade e passamos para as crianças as histórias com verdade e clareza. Sem melindres. O luto, assim, vem e vai… E seguimos todos vivendo. 

Qual a maior dificuldade que enfrentou ou enfrenta no empreendedorismo?

Para empreender, eu não abandonei o meu trabalho como assistente social.  

Trabalho 40 horas semanais na Secretaria de Saúde do DF, em um hospital público no Paranoá, atendendo vítimas de violência (principalmente crianças, adolescentes e mulheres), em um contexto de fragilização dos recursos públicos e uma demanda gigantesca. Gosto muito do que faço e por isso não consigo me ver longe desse papel. Além disso, reconheço a importância do trabalho que faço na comunidade.

Empreender nesse contexto é dificílimo, pois óbvio que quando chego em casa estou em grande parte das vezes exausta. A carga do trabalho no hospital é pesada e energeticamente, muitas vezes me sinto sugada. 

Como pinto (e é aí que empreendo!) ao mesmo tempo que sento para produzir também relaxo, retorno ao meu eixo, me cuido e me preencho. Só que o empreendedorismo não é apenas pintar.

Tem que embalar, ensacar, comprar molduras, entregar, negociar, divulgar, cuidar de fluxos de entrada e saída, pensar em novas estratégias de vendas, etc. Ou seja, tem toda uma logística que também me consome. 

Benza Deus, tenho uma parceria para além do casamento com meu marido, que é desses que exerce a paternidade ativa e responsável, além de também auxiliando muito na resolução de muitas demandas. 

Como o empreendedorismo surgiu na sua vida?

Quando eu era adolescente fui muito ligada ao universo da arte. Passei minha adolescência entre teatro e exposições. Além disso, como sou Lua em Peixes, tenho uma sensibilidade muito grande e aflorada – o que desde criança me levou à gostar de ler e escrever. Minha cabeça é um mundo de idéias. 

Em um momento down no meu trabalho como assistente social, precisei me reinventar. Foi quando fui fazer uma pós-graduação em Arteterapia de abordagem Junguiana. E nesse momento, me reencontrei com a Arte, me redescobri artista e passei a integrar esse pedaço de mim que estava perdidinho por aí entre as múltiplas demandas da vida. 

Foi quando comecei a desenhar e escrever, produzindo, produzindo, produzindo – incansavelmente! E as demandas de encomendas começaram a surgir e fui aprimorando aqui e acolá, até que quando vi a “Eu te dou a minha Paz” já estava na ativa. 

Qual o seu grande aprendizado desde que se tornou mãe empreendedora?

Gandhi dizia para sermos a mudança que queríamos ver no mundo. 

O empreendedorismo me fez enxergar que ser essa mudança é possível e que, com determinação, trabalho árduo e criatividade podemos ir longe. 

Acredito que com a Eu te dou a minha Paz, dentro do meu pequeno universo de atuação, sigo sendo essa mudança que quero ver no mundo. 

Qual dica você daria para mães que estão começando agora a empreender?

Foco, determinação, criatividade e ação. 

Sobre o Coletivo Ocupa Maternas

Também faço parte do Coletivo Ocupa Maternas e posso dizer que os eventos são lindos! Local excelente, comidinha boa, vibe maravilhosa, um jardim especial, roda de conversa, música, empoderamento. 

O Coletivo Ocupa Maternas surgiu a partir de um duplo interesse em comum entre as sete mulheres que o compõe: o desejo de impulsionar o empreendedorismo criativo após a maternidade e a vontade de apoiar outras mulheres na busca de um caminho criativo para si mesmas.
 

O feminismo é uma temática que atravessa os interesses do coletivo e caminha lado a lado com o objetivo de impulsionar a economia criativa.

 

Juntas, as participantes do coletivo *Carina Alves Cavalcante (ArtSling), Edith Rodrigues Cardoso (Cheiro de Gaia), Fernanda Quintas (Baduam), Giovanna Leggiere (Brechó da Gio), Janaina Palmar (Confraria do Sino), Isabella Telles Kahn Stephen (Eu te dou a minha paz), Nina Trindade (Margarida)* construíram uma rede de afetividade, disposta a apoiar uma à outra tanto no que diz respeito ao empreendedorismo quanto nos desafios de impulsioná-lo no período do puerpério e primeiros anos de maternagem. O Ocupa Maternas possui também uma forte pegada social, que tem como intenção estimular o contato com a criatividade e a produção criativa de um grupo de mulheres residentes em uma comunidade em situação de vulnerabilidade social, na região administrativa da Estrutural. O Coletivo proporciona encontros a cada dois meses com estas mulheres aonde de forma colaborativa abre-se espaço para a criação de projetos criativos pensados a partir da ótica da sustentabilidade e do reaproveitamento. Os produtos confeccionados são comercializados em uma feira que acontece no Restaurante Ces’t la Vie, na Asa Sul (Brasília – DF). Além de partilharem entre si dicas/ idéias com foco no empreendedorismo essa troca possibilita também um bate papo que corre de forma bem informal mas que trabalha temas importantes como: o empoderamento da mulher, os desafios da maternidade, direitos, prevenção às violências, proteção, entre outros temas. Tanto a feira do Ocupa Maternas quanto as oficinas na Estrutural acontecem a cada dois meses. Além da exposição das sete marcas do Coletivo, no gramado ao lado do restaurante as crianças tem espaço para o brincar livremente, acontecem rodas de conversa e atrações culturais. A próxima edição acontecerá em maio.

E pra comprar?

Pra venda eu tenho os originais e as gravuras (que são prints dos originais). Os preços são diferenciados. Os originais (encomendas personalizadas ou artes que eu mesma faço) – a partir de 80, os mais simples… Por ser uma arte original os preços são maiores. Os prints são uma excelente e econômica opção, pois são de excelente qualidade feitos em gráfica e em papel especial. E no tamanho (A5) são só 25 reais. Já emoldurados saem 50 OU 53 à depender da moldura. Tenho também cartões (10 x 15cm) dobráveis, para as pessoas enviarem mensagens por 10 reais. E imãs que variam entre 15, 10 e 5 reais à depender do tamanho.

Obrigada Isabella, pela confiança em partilhar sua história aqui com a gente!

 

Pra entrar em contato com a Isabella:

Página no Facebook: /eutedouaminhapaz .

E no instagram: @isabellastephan

Telefone: 9 9972-0225 (zap zap)

e-mail isabellastephan@gmail.com

E nas feirinhas por aí vcs podem se esbarrar também…

  • Rita de Cássia Ferreira Telles

    Parabéns​ Isabella. Desejo que seu trabalho continue sempre lindo e positivo, levando este alto astral. Bjs Rita ( ritaferreira.telles@gmail.com)

  • Thayssa

    Que história mais linda! Aqui também está fluindo, mas isso só passou a acontecer depois de organizar e te “foco, determinação, criatividade e ação” #vemcomasmaes