Histórias de Empreendedorismo Materno: Carla Perazzetta

Hoje é dia de conhecermos a história de Carla Perazzetta, 50 anos, mãe da Agatha de 30 e da Sophia de 17, diva por trás da Fabrincadeira / Fabrinquedo / Fabrincando (é isso mesmo, são 3 empresas!)
Agora solta o verbo e partilha a sua história!
Fui mãe pela primeira vez numa época em que fralda descartável era artigo de luxo, só usada para saídas. Fora o fato de ter 20 anos de idade e, por mais instrução que se tenha, a maternidade foi um conflito entre quem eu era e quem eu tinha que ser. Isso foi no final de 1986 e naquela época a gente aprendia na prática a ser mãe, e para minha surpresa o bebe não vinha com manual de instrução. Eu tinha mudado recentemente para um bairro longe da minha família e lá estava eu tentando lidar comigo como mãe. Olhando para trás eu não tinha maturidade suficiente para abdicar de quem eu era para cuidar de um ser humano tão precioso e que precisava tanto de mim. E conflitos de interesse nasceram dessa imaturidade. Depois de 13 anos e um novo relacionamento optei por tentar de novo, agora um pouco mais consciente. Uma das coisas que me peguei pensando no começo da gravidez era como seria a minha relação com esse novo ser que eu ia trazer ao mundo. Será que eu ia amá-lo tanto quando amava a primeira? Não tinha como saber até que nos encontrássemos, mas surgiu uma questão mais urgente: quando contei para a mais velha que estava grávida a reação dela foi de perda e ciúme em grande dose como só a adolescência pode proporcionar.

E surgiu a outra questão: eu não posso fazer uma pessoa gostar de outra, então como seria a reação e relação dela com esse outro ser?

* Detalhe: se você acha que estou exagerando, ela dizia que ia colocar a irmã no espeto e assar! Quando a pequena nasceu eu percebi que a gente nasce numa família não por acaso, e que os laços que nos unem tem um poder maior que desconhecemos. A paixão pela pequena fez com que a mais velha pudesse brincar de boneca, trocando as roupas 6 vezes por dia, trocando fraldas e curtindo a irmã sem neura, sem drama. Hoje, 17 anos depois, elas são boas irmãs. Já a maternidade é outra coisa, com seus desafios, seus dramas, trazendo a tona o melhor e o pior de nós sempre.

Carla com suas duas filhas, Agatha de 30 e Sophia de 17

Conciliar todas as funções da empresa para que ela seja sustentável é sem dúvida a maior dificuldade que enfrento no empreendedorismo.

Nossa empresa deixará de ser uma MEI no papel esse ano. Na prática ela já uma empresa grande com vários processos, prazos, projetos, problemas… Eu e meu marido temos 3 funcionários, ele cuida da produção e eu da administração. Na produção o maior desafio tem sido dar conta de tudo no prazo combinado – e não tem sido fácil! Já na administração o drama é lidar com o dinheiro nas suas etapas de contas a pagar e receber, achar o coeficiente de lucratividade – porque, pra nós, a empresa é o nosso ganha pão. Lidar com o marketing e vendas é a minha praia, mas está tudo nas minhas mãos. A empresa tem tudo para dar certo, temos público e qualidade de produtos – os processos no meio de tudo isso é que estão dando trabalho.
Sempre trabalhei em SP com vendas corporativas e nem sempre concordava com como as coisas eram tratadas. Já havia tido uma empresa, mas achei que seria feliz sendo empregada novamente – não fui feliz e isso estava me corroendo. Minha filha tinha idealizado e montado a Fabrincadeira quando em setembro de 2015 eu fiquei desempregada e ela me chamou para cuidar do relacionamento com os clientes. * Detalhe: eu estava em São Paulo. Passei a maior parte de 2016 em Brasília, deixando casa, marido e filha meio abandonados, mas agora eu sentia que estava trabalhando e cuidando de algo que fazia sentido. Aos poucos minha filha foi deixando de participar da empresa e eu fui assumindo (ou mergulhando de cabeça) na empresa.
Resumo: convenci meu marido a vir comigo e viemos pra ficar de vez em outubro de 2016. Minha filha ficou porque está no último ano do 2º grau técnico num ótimo colégio e não seria justo com o futuro dela (final do ano ela vem também). Não tem sido nada fácil! Parece uma provação a cada dia, um teste de sanidade. Mas quando fico sozinha num canto, tentando colocar as ideias em ordem e respirando bem devagar pra tentar me acalmar, sinto que estou no lugar certo, que é aqui com essa empresa que eu quero me estabelecer e prosperar. Eu gosto do que temos e criamos, eu gosto de levar um móvel ou entregar um parquinho e ver o brilho nos olhos de pais e filhos. Sinto que fazemos parte de um sonho gostoso de ser sonhado. E é essa a satisfação que eu quero poder proporcionar – sempre!
Meu grande aprendizado foi no relacionamento com os filhos. Uma empresa precisa de cuidados diários se quiser vingar e se estabelecer. Conciliar tudo sem se atrapalhar ou magoar as pessoas – grandes ou pequenas – ao seu redor é um árduo trabalho. Além disso tive que respirar fundo e encarar um monstrengo chamado financeiro.
Qual dica você daria para mães que estão começando agora a empreender?
 
Empreender é se sentir parte de algo maior, que tenha a ver com o seu espírito e sua filosofia de vida. A maioria das mães que empreendem tem como objetivo não passar 8 horas diárias longe dos filhos. Nas duas vezes que tive que voltar a trabalhar com as filhas perto dos 2 anos, foi muito difícil – isso porque consegui segurar até 2 anos. Mas às vezes o bendito financeiro não permite esse luxo. Quando você é empregada de alguma instituição, você está vendendo seu tempo para exercer uma atividade e é remunerada por isso.

Fazer o seu melhor nesse tempo vendido é a maneira mais fácil de não perceber a falta que ser mãe faz e ainda se sentir útil.

Então, seja em casa ou fora dela, dedique-se à sua atividade de corpo e alma, no tempo que você determinar que ela irá durar. E depois aproveite a vida com os filhos e a família. E não esqueça de cultivar amizades dentro e fora de casa, porque os filhos crescem…

Carla com as filhas e os netos

Obrigada pela partilha, Carla! Foi um prazer ter você aqui no Mãe Multicultural!
Pra entrar em contato direto com a Carla:
facebook.com/fabrincadeira/
facebook.com/parquinhosdemadeira/
instagram @fabrincadeira
instagram @fabrincando_df
celular: (61) 993-918-809