Pais Inspiradores: Luís Müller Pinheiro Reis

Ultimamente tenho voltado meu olhar mais para o lado do pai, e tenho descoberto coisas fantásticas!

Um mundaréu de pai super inspirador, que cuida de seus filhos, divide as tarefas de casa, leva bebê no sling pra fazer supermercado e se revolta com a ausência de fraldário no banheiro masculino! Pais integrais, em processo de desconstrução, homens que enfrentam o status quo e fazem o que julgam ser melhor para sua família, e não o que é socialmente esperado! Por outro lado, tem um outro mundaréu de pai que não sabe nem por onde começar ao trocar uma fralda, pais que sofrem em silêncio durante a gravidez, pois eles tem também suas dúvidas, incertezas, ansiedades, mas não acham espaço para partilhar suas angústias, não se sentem confortáveis falando de seus sentimentos tão abertamente.

Para nós, mães, o processo de entrar em contato com nossos sentimentos, com nossas verdades, é tão difícil, por vezes doloroso, porém mais e mais iniciativas surgem todos os dias abordando essas questões e criando espaço para que elas sejam trabalhadas: rodas de gestante, grupos de apoio, cursos e mais cursos, ou o bom e velho cafézin na casa dazamiga! E os pais, onde se encontram nesse cenário?

Conversando com o fotógrafo Luís Müller, pai da Sara de 8 anos, ele me disse:
“Acho que as pessoas precisam de mais traduções sobre o que é ser pai hoje em dia, vejo muitos pais perdidos sobre o que é ser humano e se perdem em meio a tantas teorias e técnicas”
Achei sua história super inspiradora e já trocamos altos papos sobre o que é ser pai hoje em dia.

Precisamos falar sobre isso!

Sei que a sessão está sendo sobre #HistóriasdeEmpreendedorismoMaterno mas permitam-me quebrar a regra aqui.. ou melhor, mudar de vez a regra… pais também precisam de seu espaço aqui no Mãe Multicultural! Vamos a partir de hoje conhecer mais histórias de pais inspiradores, abrindo espaço para o empoderamento masculino acontecer! Lancei esses dias também a hashtag #PorMaisHomensEmpoderados , dá uma olhada lá no facebook pra mais conteúdo interessante sobre paternidade!

Portanto, hoje vamos conhecer a história de Luís Müller Pinheiro Reis, 30 anos, pai da Sara Müller de 8 anos e fotógrafo.

Luís criou seu atual trabalho de forma que seu estilo de vida pudesse ter certa liberdade para ser nômade digital, diz que o dinamismo é um dos lemas de sua vida. “Costumo dizer que água morna não faz nem miojo.”

Muitas mulheres decidem empreender depois de se tornarem mães, pensando em ter um trabalho com propósito e flexibilidade de horário. Mas esse não é o cenário comum para homens, que normalmente já tem um negócio estabelecido antes de se tornarem pais. Para Luís, o trabalho com fotografia veio de uma paixão da juventude, e tomou força na sua busca por fugir dos padrões impostos pela sociedade. Após a paternidade, seu olhar com relação ao trabalho mudou:

Me vejo na função de conscientizar a minha filha e todos que nos cercam sobre o papel da mulher na sociedade. Ensinar o empoderamento feminino de uma forma natural e simples, como deveria ser. É uma “luta” constante, pois agora que algumas barreiras estão caindo. Além disso, tenho que me desconstruir, já que minha formação foi basicamente militar.

Sacaram porque que eu tinha que entrevistar ele, gente? Vamos aprender juntos com a história de Luís:

Eu tinha a fotografia como hobby. Havia comprado uma câmera para acompanhar alguns momentos da vida da minha filhota.
Após algumas experiências fotográficas, além da paternidade, começaram a surgir algumas propostas de trabalhos fotográficos. Desde então as empreitadas só aumentam.

A maior dificuldade que enfrento no empreendedorismo é a instabilidade do mercado. Trabalho com fotografia que é uma área considerada supérflua por várias pessoas. E também por ter como área principal de mercado o nu artístico.

Acho que o “ser pai” influencia por completo no meu negócio.

Desde a parte de otimizar meus rendimentos, de forma sadia, até em não comprometer horários em que ela esteja livre. Optei pelo empreendedorismo principalmente por ser possível essa flexibilização dos horários.

Meu grande aprendizado desde que me tornei pai foi amar!
Sem egoísmos ou princípios pré estabelecidos.

Apenas sentir e amar.

Eu tinha um emprego regular e 22 anos.
Oito horas diárias, duas horas de almoço por dia, durante 5 dias da semana.
Comecei a perceber que eu só vivia de sexta a domingo a tarde.
Pois durante a semana a noite eu estava cansado do trabalho e domingo a noite eu estava frustrado por estar perto de começar outra semana.
Na primeira chance que tive de fugir dessa formatação, eu fugi.

A rotina conciliando paternidade e empreendedorismo hoje na minha vida é maravilhosa! Nunca me senti tão próximo e amigo da minha filha e da minha esposa. Visualizo essa mesma rotina cada vez mais rica nos próximos anos. Com mais culturas aprendidas, experiências vividas e muita conversa em casa. A evolução por aqui tem sido constante. Não nos prendemos a amarras e sempre estamos buscando melhoras, evoluções. Os próximos anos trarão belas surpresas.

Com a chegada da minha filha, aprendi a ter medo.
Antes não me cuidava como agora. Me preocupo em estar bem para acompanhar o máximo de tempo o desenvolvimento dela.

Muitas mães temem se lançar no empreendedorismo pela falta de estabilidade e de rotina. Mais uma vez, essa máxima não é sempre verdade para homens. Qual a sua opinião sobre o assunto?
Acredito que fomos criados e formatados pelo medo.
Medo do castigo, medo de ficarmos sozinhos, medo de expressarmos as vontades, medo de sermos julgados..(lista GIGANTE)
O que eu digo para todos que converso é: O que na sua vida mudou, de verdade, sem uma atitude de coragem?
Ouvir suas vontades é o maior desafio da vida de todos. 

 

Optei por tentar vencer o meu.

 

Como você enxergou a oportunidade de começar algo novo?
Não enxerguei!
Apenas acreditei quando senti que deveria tentar.
Acredito que nenhuma oportunidade vem embrulhada em um pacote dourado, gigante e vistoso.
Creio que elas vêm discretas, em portas pequenas..
Cabe a algum curioso investigar os “sentires”, meter a cara e descobrir novos caminhos.
Vocês deveriam experimentar.
A vista é linda!

Fale um pouco sobre o seu trabalho com a nudez:

Ficamos nus todos os dias.
Nascemos nus.
Nos procriamos nus (pelo menos em grande parte das vezes).
Mas não nos enxergamos nus.
Quando nos olhamos no espelho usamos nossa imagem para nos criticar, nos comparar..
Começaria a descrevê-lo como um reencontro consigo, para uma sessão de autoconhecimento.

Escolhi trabalhar com a nudez, por acreditar que as roupas são responsáveis por inúmeras amarras sociais.
Sejam fisicamente ou “moralmente”.

fotos do projeto NU PANO, da Art Sling

Minha esposa sempre me apoiou.

Comecei a fotografar a partir da gravidez dela.
Ela já posou inúmeras vezes para mim.
Seja para aprendizado ou em projetos, junto a outros voluntários.

Mas assim como todo relacionamento, esse também amadureceu com o tempo. Quando me acompanha nos ensaios, ajuda a tirar a roupa da galera, propõe novas visões e me acompanha nas edições. Mas além da presença física, segue a confiança um no outro.
O nu artístico pra mim é uma expressão sincera do que enxergo, e ela consegue perceber isso.

Como surgiu a ideia do ensaio NU PANO?
Foi bem despretensioso. Associo completamente o sling ao natural de se ter um filho. É algo que te liga ao que foi criado do seu mais íntimo. E imaginei o ensaio utilizando apenas o sling como vestimenta por não percebê-lo como roupa, mas sim uma extensão do corpo.
Agora a parte de agilizar tudo e fazer acontecer, foi graças a Carina.

fotos do projeto NU PANO, da Art Sling

 A principal repercussão já foi alcançada. As mamães que participaram levaram consigo a certeza de uma experiência nova, talvez transformadora. Acredito fortemente que a mudança se faz um a um, com diálogos e sinceridades nas expressões. Espero mais papos e oportunidades de mudanças do que likes e compartilhamentos.

foto do projeto NU PANO, da Art Sling

Qual dica você daria para mães e pais que estão começando agora a empreender?
Não se assustem com tombos!!!
Eles vão te dar dois caminhos possíveis: Ficar no chão se lamentando das dores e dizendo que não deveria ter tentado aquilo..
Ou..
Levantar, mesmo com dor, perceber que ao cair você já andou um pouco para frente.
Usar aquilo que te machucou pra te fortalecer e evitar novas quedas, causadas muitas vezes pelos mesmos motivos,
e seguir.
Gratidão pela oportunidade.
Foi de um aprendizado imenso responder à essa entrevista.

 

Obrigada você Luís, pela abertura em partilhar a sua história!

 

Para entrar em contato direto com o Luís:

Telefone: 061 – 981 737 975

instagram: @fconceitual

Facebook: https://www.facebook.com/Muller.Fotografia

Página no facebook: https://www.facebook.com/luismullerfotografia/

e-mail: fotografo.conceitual@gmail.com

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