Papinhas no Mundo

Gente, quem é que não gosta de comer? Tem coisa mais deliciosa nessa vida? A maioria das pessoas gosta muito de comer, nós só divergimos no “o que” comer… e com crianças não podia ser diferente né? O que é delicioso pra mim pode não ser pra você, o que desce bem no meu organismo pode não descer muito bem no seu e por aí vai…

Quando começamos a introdução aos sólidos na alimentação dos pequenos é que percebemos o tanto que algumas crianças podem ser seletivas… ou não? Será que nós é que temos certas ideias do que deveria ser “comida de bebê” e acabamos por direcionar o paladar dos pequenos para um lado ou para o outro? E infelizmente tem muito pediatra por aí falando baboseira com relação a “comida de bebê”, what else is new, afinal, tem pediatra que faz de tudo pra tacar uma fórmula bem gorda no bucho do seu filho e tirar ele logo do peito! né não? afinal, bebê gordo é bebê feliz, né?! #sqn

E conversando com um grande amigo sobre esse papo de papinha me lembrei que havia lido um texto fantástico de papinhas pelo mundo, contando como é feita essa introdução aos sólidos nas mais diversas culturas, porque afinal nem só de banana amassada vive o homem, ou o bebê! Eis que revirando meus arquivos achei o texto! Dou todos os créditos pra galera fabulosa do Comer Para Crescer que lançou essa série de posts! Deliciem-se com a leitura! e depois vamos todos ralar parmesão em cima da sopa das crias!

bjo!

Papinhas no mundo – Índia

 

A Índia, para muitos ocidentais, é um país intrigante, exótico, cheio de contrastes, com uma história belíssima de independência e uma alimentação que chama a atenção de muita gente por aqui.

Mas como será que os bebês indianos comem? Será que são como os bebês de Gana, iniciados desde cedo aos temperos fortes e apimentados? Ou como os italianos, introduzidos em brodo com queijo ralado?

Bharti Chanchlani é mãe de Khabir, um garotinho simpático de 3 anos, e tem uma creche na zona rural de Jaipur, no norte na Índia. Eu a “conheci“ no Facebook por meio de uma amiga. Ela contou em linhas gerais como é a alimentação das crianças por lá, não detalhou a introdução da papinhas, mas o que ela escreveu dá para ter uma noção dos hábitos alimentares daquele país. E, assim como aqui e nos EUA, as crianças indianas estão engordando muito, mesmo tendo uma alimentação, que aos olhos ocidentais, seria mais saudável, afinal são vegetarianos.

A seguir, o relato que Bharti enviou ao Comer para Crescer.

Olá!

É tão bom poder falar sobre as crianças e comida, algo que eu poderia fazer durante o dia todo. Na Índia, a comida simboliza a cultura e a identidade étnica do país e é algo que tem motivado pessoas do mundo todo a inovar bastante com fontes de alimentos como grãos, cereais, verduras e carne.

Aqui, temos uma dependência muito grande por legumes e frutas da época. Mas é possível encontrar comida congelada e enlatada, porém o consumo delas realmente não é incentivado, até porque os hábitos alimentares variam muito entre as pessoas que moram na área rural e as que moram nas cidades, nas áreas urbanas. Só que existem algumas coisas em comum entre todos: a grande quantidade de ingestão de leite. Bebemos muito leite. Os produtos lácteos, aliás, são parte importante da dieta do indiano desde muito cedo. Nas áreas rurais, por exemplo, por causa das muitas fazendas que existem, os pequenos começam a tomar leite puro e não o pasteurizado muito cedo.

Apesar de beber muito leite, os indianos realmente não se preocupam em consumir produtos lácteos de baixo teor de gordura ou sem gordura. Na verdade, a ghee (gordura concentrada extraída de creme de leite) é tida como muito, muito nutritiva na Índia, mas li no rótulo de uma garrafa de ghee, que cada colher de chá do produto tem 8 mg de colesterol!!!. É composto quase inteiramente de gordura.
Mesmo assim a ghee é bastante consumida e uma parte importante da dieta crianças.

Na Índia as crianças comem 4 vezes por dia: café da manhã, almoço, lanches de final de tarde e jantar. Os alimentos mais comuns são: samosas, purê de batatas, cebolas e ervilhas envoltos em massa e fritos. Eles também comem naan (flatbread, pão pita indiano) com raita (iogurte comum misturado com a menta, pepinos) e makhani spices (manteiga de galinha), além de dal, que são lentilhas cozidas com cebola, tomate e creme. Dal é suave e leve o suficiente para os mais pequenos. Os pequenos também comem frango tandoori, que é marinado em iogurte e especiarias e depois cozido em forno de barro ou em tandoori. E desde cedo são acostumados ao “vegetal biryani”, um arroz enfeitado com nozes, frutos secos e legumes.

A culinária indiana é também conhecida pela prática generalizada do vegetarianismo. Mas alguns hábitos não são tão saudáveis: um deles é o uso de muitos molhos com muita manteiga e nata. Além disso, alguns pratos são muito picantes para as crianças. O curry, um ingrediente comum na culinária indiana, tem um cheiro forte, por isso algumas crianças realmente não gostam, incluindo Kabir, meu filho.

A comida indiana, assim como o alimento chinês, é servida em família, com todos à mesa. Acreditamos em um bom café da manhã, com coalhada e dois ou três alimentos doces incluídos na refeição matinal. Tradicionalmente, as refeições são degustadas em mesas ou no chão ou em bancos muito baixos ou ainda em almofadas. Hoje em dia esse cenário tem mudado e quase todas as casas têm mesas de jantar e cadeiras. E a comida é mais frequentemente consumida sem garfos ou facas. Cada vez mais temos usado colheres em vez de usar somente a mão direita para comer. O roti (pão achatado) é usado para escavar alguns pratos, evitando que a comida seja tocada pelas mãos.

As crianças indianas de hoje são grandes fãs de junk food e lanches na estrada, infelizmente. Esse consumo tem afetado as crianças. O sobrepeso e a obesidade aumentaram de 9,8% para 12% das crianças em apenas três anos. Esse consumo é agravado porque as principais escolas do país fecharam contrato com cadeias de fast food para ver junk food e refrigerantes em suas cantinas.

Crianças, pais e professores estão conscientes sobre o efeito adverso da food e o governo, preocupado. Programas oficiais estão desencorajando o consumo de junk food entre as crianças. Um exemplo é a Akshaya Patra Foundation, a maior ONG do mundo que executa o programa refeição para crianças carentes em áreas rurais.

Adorei contar um pouco sobre os hábitos alimentares. Em geral, na maior parte do tempo estou sempre muito focada na educação infantil. Na verdade, agora, depois de escrever para vocês, acho que estou mais ciente do que estou deixando Kabir comer. Observei mais o que ele come.

 

Papinhas no Mundo – Irlanda

 

Oba, mais uma história gastronômica para inspirar a gente. Dessa vez, a Karine Smith conta sua experiência ao se mudar para a Irlanda e adaptar a alimentação do filho que já tinha 7 anos. Depois conta como foi com a filha de 2 anos que nasceu lá. As refeições deles são bem diferentes daqui! Aliás, é bom saber que podemos variar também, comendo sanduíche no almoço e cozido no jantar. Ou bacon no café da manhã e pão com manteiga no jantar… Aproveitem o delicioso texto:

Batatinha quando nasce….

 

Quando eu me mudei para Irlanda a alguns anos atrás, meu filho, também brasileiro já tinha 7 anos de uma vida repleta de arroz e feijão. Eu tive que me virar com o que tinha, ou seja, ingredientes brasileiros só na loja brasileira e nem sempre em lugares assim encontramos as melhores marcas.  Com o tempo, fui desabrasileirando (?) a alimentação dele, afinal, como eu poderia leva-lo a um restaurante ou a um jantar na casa de irlandeses?

Meu marido é irlandês e posso garantir que a culinária aqui é bem contraditória. O café da manhã é super pesado e calórico, com bacon, linguiça, ovo, já o almoço normalmente é um sanduíche e o jantar é um prato quente, com muitos legumes (pouca verdura), carne assada(frango, carneiro, ham), com o tempero quase inexistente.  Não aderi completamente, não consigo comer sem tempero e não gosto de sanduíche, acabo fazendo um mix entre as duas culturas e adaptações de receitas brasileiras combinadas com as irlandesas.

 

Quando eu tive a minha filha, hoje com 2 anos, não amamentei, entrei com fórmula desde o hospital e apesar de ter vindo de um país onde mulheres que não amamentam seus filhos (independente das razões) são julgadas, nunca me senti culpada.  Na Irlanda, não existe essa pressão grande a que estamos acostumadas em torno do aleitamento materno, apesar de estar surgindo cada vez mais movimentos pró, nenhuma amiga irlandesa amamentou e morando aqui a 4 anos nunca vi uma mulher amamentando em público, ainda existe um grande tabu a respeito, mas campanhas estão começando a surgir, ainda que bem discretas e conheço brasileiras que amamentaram e receberam todo o apoio de grupos de aleitamento local.

Porque crianças que não mamam no peito precisam de água, desde sempre dei suco de frutas, poucas doses, mas todos os dias. Entrei com as papinhas de fruta, banana amassada e maça quando a Chloe tinha 4 meses e ela aceitou bem.  Aos 6 meses introduzi as papinhas salgadas, alternava entre as prontas e as que eu fazia e sempre percebi uma certa preferência pelas prontas.

Aqui na Irlanda, existe uma cultura imensa em torno da batata e é comum a mãe introduzir de cara o purê de batata ou a batata amassada, pelo que li, vi e ouvi falar, a carne só é oferecida depois de 1 ano, antes disso a variação é pouca e na minha opinião bem seca, isso no caso das que não optam pelos famosos potinhos que aqui, diferente do Brasil, são bem variados, tem de diversas marcas e custam bem barato (€0,60)

A dentição da Chloe começou tarde, mas mesmo sem dentinhos sempre estimulei a mastigação, apartir dos 9 meses ela já comia praticamente tudo, tudo mesmo, nunca me preocupei em evitar doces ou sal até os dois anos como muitas mães por aqui o fazem, não tenho nada contra, acho inclusive bacana, só que não faz parte da minha realidade, não sou radical e apesar de não ser todos os dias, como batata-frita, então não vejo motivo de vetar isso da alimentação da minha filha, ela come 1 e pronto, fica satisfeita. Refrigerante eu evito, já que não temos o hábito. Bolachas de maizena ela adora, chocolate por não gostarmos, ela não come e o delírio dela é, acreditem, passas!

 

E depois nas bolachinhas…

No supermercado, a seção de produtos para bebês e crianças é bem vasto e com muitas opções saudáveis e naturais e sem neura ou pressão eu vou acrescentando uma coisa ou outra e hoje já sei bastante sobre o seu paladar, inclusive não dispensa o feijão quando tem ou quando vamos ao Brasil.

A impressão que tenho das Irlandesas é de que elas são 8 ou 80, já eu me considero 40. Tenho amigas que são super rigorosas com a alimentação dos seus bebês e outras que vão ao Mc Donald’s 2 vezes por semana, acho que assim como na vida, nada melhor também para a alimentação dos meus filhos, do que o meio termo, tirando a batata, essa, por aqui, não tem como, é em excesso!

Cheers!

Karine Smith mora na Irlanda com o marido irlandês e seus dois filhos. E tem dois blogs com textos deliciosos: o Ka Entre Nós e o Half and Half

 

Papinhas no Mundo – Senegal

 

Hoje temos mais um capítulo da nossa série Papinhas no Mundo: Hoje vamos para África.

O Senegal é um pequeno país na costa Oeste do continente africano. Sofreram com invasores britânicos e depois franceses. Hoje não são colônia de mais ninguém. São donos do próprio nariz e caminham em direção à democracia nos moldes como entendemos democracia ocidental, mas o país vira e mexe mergulha em disputas de grupos rivais pelo poder. A instabilidade política se reflete no caixa do governo: é um país que investe mais em armas do que no bem-estar na população. É um país pobre, dividido por 11 regiões que têm costumes próprios e língua própria, apesar do francês ser o idioma oficial.

Apesar das confusões promovidas pelos adultos, as crianças continuam nascendo e crescendo no Senegal. Como serão os costumes alimentares dos pequenos nesse país tão desconhecidos para nós brasileiros? Como será o aleitamento materno por lá?

Para responder a essas  e outras perguntas, conversei, via email, com a Coumba Toure, de 37 anos. Ela é senegalesa, mãe do Hank. Não fala português. Nos comunicamos na língua universal, o inglês. Hoje, ela mora no Mali porque trabalha no escritório da Ashoka naquele país africano. Mesmo morando fora de seu país de origem, manteve os costumes senegaleses na introdução alimentar do pequeno Hank. Veja o que ela nos conta:

Tento lembrar minha primeira refeição na medida em que tento me lembrar do que o restante da minha família comia e do que as outras crianças da minha família comia. Lembro-me que a diferença estava na freqüência que éramos alimentados: entre as refeições principais, o almoço e o jantar, a gente recebia alimentos que os adultos não recebiam. Lembro que, quando tínhamos um jantar que eu gostava muito, minha mãe guardava um pouco dessa comida para mim no dia seguinte. Mas acho que cada criança é diferente. Algumas comem cedo, algumas começam a comer mais tarde. A maioria das mulheres amamenta no Senegal. Na cidade houve uma época em que os bebês eram alimentados com mamadeira e isso era visto como um sinal de status. Hoje, existe uma campanha que incentiva a mãe a amamentar seu bebê exclusivamente até o 6 º mês. Foi o que eu fiz.

Comecei a introduzir Hank primeiro nas frutas, iogurtes, batatas, inclusive batatas doces, também comprei cereais (de mingau) e alguns alimentos infantis, mas não muito. Hank não gosta de comida para bebé, ele gosta de comida adultos. Ele tem um ano e seis meses agora e come “everthing” o que nós comemos: peixe, carne, purê de batata, arroz de legumes. Quando cozinho, tiro alguns pedaços na nossa comida, do espinagre, na vagem, e dou para ele. Ele é uma criança fácil par comer. E ainda mama. Ofereço leite de fórmula na mamadeira, mas ele não é muito fã e muitas vezes temos de jogar o leite fora, mas adora queijo, iogurte natural sem açúcar. Hank tem sua mente.

No Senegal, há o costume de fazer a criança provar a comida do adulto, mesmo quando ainda está sendo amamentada. Não é dar para eles comerem, apenas colocar o dedinho da criança na comida comum e deixando ele levar o dedo lambuzado à boca para que sinta o gosto e o cheiro da comida. Os bebês experimentam o que todo mundo come, até as comidas mais picantes, e vai se acostumando.

A maioria das pessoas no Senegal não costuma comprar óleo ou qualquer outro alimento específico para bebês. Nem dão ovo para eles. Eu fervia o ovo e misturava um pedacinho no purê de batatas para ter alguma proteína. Também dava (e ainda dou) sopa de frango ao Hank. Mas estou planejando oferecer também sopa de peixe a ele porque ouvi a minha tia dizer que sua avó lhe disse que óleo de peixe é bom para o crescimento da mente de um bebê.

É isso. Beijos,

Coumba.

 

Papinhas no mundo – França

 

Descobrir como os bebês são alimentos na terra da boa comida tem sido um desafio para nós. Já descobrimos alguns detalhes, que seguem:

Assim como em todo mundo, existem mães francesas práticas que alimentam os filhos com papinhas industrializadas. Conversei com uma mãe franco-brasileira que foi clara: “Não sabia cozinhar e morria de medo de deixar as minhas filhas morrerem de fome”. Desabafou com o pediatra. O médico foi objetivo: dê papinhas!

A prática em optar pelo comidinha de potinho industrializada deve ser comum entre os franceses porque há uma boa oferta de marcas, sabores (há papinhas com presunto! Mas de boa qualidade como me explicou a mãe franco-brasileira) e não apenas uma única marca, como aqui. Além de consistências variadas, sugestões de incrementar a comida do pote com legumes frescos. Enfim, vida prática longe do romantismo dos bistrôs.

Mas há mães e pais que preferem cozinhar papinhas frescas e descomplicadas. Ufa! O chef Alan Uzain, do Felix Bistô, contou um pouco como os bebês franceses são introduzidos nos alimentos sólidos na França. Se são acostumados desde cedo com queijos, carnes.

“Nossos filhos nasceram na França. Arthur chegou ao Brasil ainda bem bebezinho. Mas nosso ponto de vista é que assim que começa a sair um dentinho pode começar a encorpar um pouco mais a sopinha do bebê, com pedacinhos bem moles, no inicio, e começar as frutas frescas, escolhendo as mais fofas. Assim que os dentinhos aparecem progredir na consistência da comida. E sempre ficar na escuta do bebe: ele não gostou? Na hora, não insista. Repita alguns dias depois e não se decepcione se o bebê não apreciar, ele também tem o paladar dele e vice -versa. Aliás mesmo se você não gosta de uma comida, tente com seu pequeno de repente ele vai adorar. Arthur gostava muito de ostras quando era pequeno. Agora, já não é o prato predilecto, mas eu não me desesperei (apesar de adorar ostras). Um dia ele vai amar.
Os bebês sempre foram acostumados a sentar na mesa juntos conosco e nunca fizemos um prato especial para eles, só adequado à idade deles (de mixado a amassado), assim participaram de todas as nossas comidas, do mais simple ao mais sofisticado. É  por isso também que o Arthur é um apaixonado por foie gras, queijo de cabra, sushi, chili com carne entre outros e mais que tudo, adora entrar na cozinha para me ajudar.

Quando publicamos o post, a Ana, do Journal de Beatrice, deixou um comentário muito simpático acrescentando informações sobre como foi a experiência dela com papinhas, lá na França. Segue abaixo o comentário da Ana.

“Sou brasileira e moro na França e o seu post retratou muito bem a questão da opção por alimentos industrializados. Sim, ha grande variedade de opções, como as papinhas com presunto (a partir de 6 meses se não me engano), assim como as de alcachofra (sem misturar com outro legume) incluida no leque da diversificação alimentar. Ha também boas opções de sabores, misturas e texturas de papinhas orgânicas.

A minha filha não era muito chegada nas papinhas prontas. Sem contar que, no começo da diversificação alimentar fiquei bem confusa, pois aqui os elementos de base não são como no brasil. O mamão, por exemplo, é considerado fruta exotica e nunca sera dado, por mãe francesa, logo no inicio da diversificação alimentar. O mesmo para o feijão (e legumes secos em geral), cuja recomendação é dar a partir de 15-18 meses (retirei esses dados do “carnet de santé” – livro de saude e acompanhamento pediatrico da minha filha). Então, devido essa diferença cultural, procurei dosar um pouco do que fazem no Brasil e do que é habitual por aqui.
Aos poucos entendi o processo de introdução alimentar “à la française” e a utilizar os ingredientes, frutas e legumes daqui. Comprei livros de receitas para bebês (até idade de 3 anos) e pesquiso muito na internet, de modo que eu tenha em mente o cardapio da semana.
Ela ja conhece champignon fresco, alcachofra, alho poro, alguns queijos e outros legumes que não sei se ha no brasil: rhubarbe, toupinanbour, panais… Enfim, eu acho muito rica a variedade de pratos que eles elaboram aqui e a maneira de fazer. Isso é incrivel.
Mas quer saber que ela realmente gosta de comer? O prato pre-di-leto? Feijão com arroz e uma carninha moida tudo junto e misturado! Deve ser genetico!!! Se eu acho feijão para comprar eu compro mesmo. O sucesso e pratão batido é garantido.

 

Papinhas no mundo – Japão

 

Esta semana é a vez de desvendar como os bebês e as crianças se alimentam no Japão. Será que comem muito arroz? Muito peixe cru? Quem conta os detalhes é a Herika Miyashiro, brasileira que mora no Japão. Ela tem duas filhas, de 5 e 3 anos, que nasceram por lá. Por mais brasileira que seja, Herika admite que não tem como fugir da alimentação japonesa com as meninas e as diferenças são marcantes, inclusive já na maternidade com vários dias de internação e uma dedicada atenção às orientações sobre aleitamento materno.  Espero que vocês curtam a viagem até o Oriente tanto quanto nós.

Vou contar um pouco de como as coisas funcionam no Japão. Pra começar, sou brasileira. Então, mesmo morando em outro país, é difícil abandonar certos hábitos culturais, como dar banana amassadinha ou raspar maçã com a colher.  Mas introduzi muitas coisas ‘japonesas’ como a sopinha de misso, o missoshiru, desde muito cedo na alimentação delas. Tive minhas duas filhas aqui e não sei direito como são as coisas no Brasil, apenas o que ouço das amigas, mas aqui é diferente desde o nascimento. Se é parto normal, ficamos internadas, em média, 5 dias, um pouco mais, um pouco menos dependendo da maternidade.  Fiz cesárea nas duas vezes e tinha que ficar 10 dias internada.  Esse longo tempo dentro da maternidade serve para ensinar as mães sobre amamentação e cuidados com o bebê e regular as horas das mamadas. As enfermeiras nos ensinam a amamentar, a segurar o bebê, a trocar fraldas, a dar banho.  Assistimos palestras todos os dias de como preparar uma mamadeira, de como massagear os seios para estimular a produção de leite, de como cuidar da higiene bucal do bebê, essas coisas.

Uma semana depois da alta, uma assistente social-enfermeira vai até a sua casa para dar orientações sobre o cuidado com os bebês e tirar dúvidas.  Além disso, tem as consultas pediátricas periódicas gratuitas: de 1 mês, de 4 meses, de 6 meses, de 10 meses e com 1, 2 e 3 anos.  Nessas consultas, o pediatra dá uma olhada geral na criança, um dentista vê os dentes e gengivas e as assistentes fazem o exame biométrico. Depois temos de conversar com uma assistente sobre o questionário que preenchemos (recebemos pelo correio).  Recebemos orientações de acordo com a análise que eles fazem da rotina da criança.  Quando a criança já está na fase de introduzir alimentos sólidos, ganhamos cartilhas com os alimentos adequados para cada fase, algumas receitas, além de ter que assistir uma palestra com uma nutricionista.

Todos os meses, o centro de saúde faz um exame biométrico onde ficam algumas orientadoras para quem quiser tirar dúvidas, mas é para quem quiser, não é obrigatório.

Eu recorri muito a sites brasileiros para ficar montando cardápios e me orientar quanto a alimentação, valores nutricionais, detectar possíveis alergias…  Apesar de saber ler japonês é inegável a facilidade de uma brasileira em ler textos em português, por isso acho que mesmo introduzindo algumas coisas da cultura local, o jeito que uma brasileira acaba criando os filhos no Japão ainda é o jeito brasileiro.  Claro que jamais imaginaria fazer um tofu steak no Brasil ou um gratinado de tofu com pão de forma em molho branco feito com leite de soja e okara (bagaço de soja).  Mas uma mãe japonesa nunca daria uma sopinha com caldinho de feijão para uma criança de 1 ano (aqui não tem feijão, não como o nosso).

Frutas são absurdamente caras, mas não impossíveis de serem compradas, as verduras da época são baratas, então para quem tem disponibilidade para preparar, pode oferecer uma alimentação bem saudável às crianças.  Eu parei de trabalhar quando engravidei e esse ano vou voltar a procurar trabalho porque minhas filhas vão começar a frequentar a pré-escola. Tive muito tempo para me dedicar a elas.  Infelizmente muitas mães precisam voltar a trabalhar logo e não dispõem de tanto tempo para preparar as refeições com calma, mesmo tendo tantas orientações.  A vida aqui é bem corrida.

Nos mercados e farmácias existem um sem número de produtos entre papinhas, pozinhos, bolachinhas, sucos, sopas que não são tão caros para ajudar as mães mais ocupadas.  Não vou mentir que nunca recorri a algumas dessas coisas. Em geral, minhas filhas não gostavam.

Minha mais velha tem 5 anos e a caçula está com 3 anos, e eu ainda estou na fase de ensinar a comer certas coisas.  Por sorte aqui tem muitos livros e revistas que ensinam a enfeitar os pratos, além dos inúmeros blogs com verdadeiras obras de arte para poder copiar.  E como é da cultura deles enfeitar as comidas, é possível encontrar cortadores e enfeites por preços bem acessíveis.

Dá uma olhadinha aqui http://bit.ly/eQfKNf, isso realmente estimula as crianças a comerem.

Passei a plantar tomates, berinjela, pepino, morango, couve, alface, vagens, cenoura, rabanetes, beterraba e mais algumas outras coisinhas em vasos (moro em casa e não em apartamento) espalhados ao redor da casa porque minha filha mais velha não come mais verduras. Ela sempre me ajuda a regar, a revolver a terra, a enterrar a semente e a colher.  Apesar de não gostar, ela experimenta as coisas que ajudou a plantar e assim tenho a esperança que, com o tempo, ela aprenda a gostar. Ou que pelo menos se acostume com o sabor das verduras e consiga gostar em um futuro bem próximo.  Acho que ela nota que o pai delas não come verduras/legumes/frutas. Por conta disso, a maioria das verduras e legumes vão camufladas nos pratos, como o inhame no feijão e a abóbora no curry, ou o pão de tofu, muffins de espinafre e por aí vai. A lista dos camuflados é muito grande.

Nossa, como eu falo, não?  Me empolguei, desculpe.  Espero ter conseguido ajudar.

Beijos!!!

Herika Miyashiro

Herika ajudou um montão. Foi super simpática e disponível para escrever o texto. Vocês encontram a Herika aqui http://herikamiya.blogspot.com/ e também aqui @herika

 

Papinhas no Mundo – Itália

 

Nunca pensou em colocar queijo na papinha? Chiquérrimos, os italianos acrescentam parmigiano reggiano logo no começo! É isso que conta nosso querido Allan Robert, autor do muito bem escrito Carta da Itália, em nosso segundo capítulo de PAPINHAS NO MUNDO. Quando pedi ajuda Allan fez a lição de casa direitinho: relembrou suas experiências, conversou com mães e pediatras. O texto, delicioso, vem com um monte de dicas bacanas. Buon appetito!

 

Querida Mônica, andei ouvindo as amigas que são mães e até um médico pediatra. Descobri que a papinha italiana tem algumas diferenças daquela brasileira. Diria que basicamente existem duas linhas de pensamento – excluindo as nuances de cinza e meios-termos. A primeira é a que defende a papinha como sempre foi feita desde os tempos da criação da sociedade moderna, que eu chamaria de tradicional ou biológica; a segunda linha de pensamento diz respeito às papinhas prontas, os homogeneizados industriais. Os que as defendem (as papinhas prontas), garantem que esse tipo de alimento oferece uma garantia de segurança quanto ao frescor e qualidade dos alimentos utilizados, graças às rígidas normas de controles de higiene e qualidade promovidas pelo ministério da saúde italiano. Uma garantia que, segundo os defensores da papinha pronta, não é garantida nos produtos frescos à disposição dos consumidores (e eu me pergunto: e não é tudo igual?). Outras vantagens desse tipo de alimentação seriam a trituração extremamente fina dos alimentos e que o processo industrial evitaria incorporar ar à papa, que pode provocar uma precoce sensação de saciedade, como costuma acontecer com o normal liquidificador de casa. Para finalizar, a papa industrializada não perderia os valores proteicos e de vitaminas e minerais, o que ocorre com o cozimento em casa. Pessoalmente acho que tem muita gente sendo paga para difundir essa segunda filosofia. O grande produtor de papinhas prontas na Itália é a Plasmon: http://www.plasmon.it

A grande diferença que acontece na Itália é que a mãe pode gozar da licença maternidade com uma maior elasticidade. Por três meses, recebendo 100% do salário (período obrigatório por lei); mais dois meses com 80% do salário; mais dez meses com 30% do salário; Ou seja, a nova mamãe pode ficar em casa por quase dois anos sem perder o emprego e solicitar, ao seu retorno, um “período de expectativa” não remunerado por até mais dois anos, ou uma redução do horário de trabalho (que a empresa pode aceitar ou não), fazendo meio turno, com a respectiva redução de salário. Isso sem contar com a preciosa ajuda das avós, que costumam participar ativamente da vida dos netos nos primeiros anos de vida. Algumas regiões presenteiam os recém-nascidos com um único cheque que varia de € 500,00 a € 1.000,00. Se for mãe solteira ou tiver mais de quatro filhos, receberá ajuda econômica da prefeitura além de uma série de isenções. Conheço apenas uma mãe que voltou ao trabalho antes dos dois anos. Todas as outras ou usufruíram dos dois anos e voltaram ao trabalho ou, uma vez terminado o período de licença, se demitiram. Mais tempo em casa, mais tempo para dedicar-se aos filhos e fazer a papinha sem pressa.

Curiosamente, apesar dos médicos defenderem a amamentação no peito por, pelo menos, um ano, enfatizando que o ideal seria amamentar no peito até os três anos, a maioria das mães opta pelas mamadeiras, por pura questão estética. Ou seja, ter filho sim, peito caído, não. As mesmas mães usam o carrinho de bebê até os quatro anos, quando o moleque já sabe até correr. Não há uma referência exata para começar a dar a papinha. Vai depender se o bebê é amamentado no peito por um período de pelo menos um ano, e aí inicia-se a papinha uma vez por dia. Nos casos dos bebês de mamadeira, a papinha começa a ser ministrada a partir do sexto mês, mas não chega a ser uma regra. A única regra é começar com a papinha ao meio-dia e, aos poucos, ir substituindo a amamentação da noite com a papinha. A amamentação matinal acabará sendo substituída pelo leite no copo. Sim, tem a merenda da manhã e da tarde, que serão substituídas por frutas raspadas ou chupadas.

Mas vamos ao que interessa. A base da papinha tradicional é sempre o brodo vegetal. Uma vez feito o brodo, adiciona-se os demais ingredientes e bate-se no liquidificador ou passa na centrífuga, ou, ainda, coa-se tudo com uma peneira não muito fina.

Brodo vegetal:

½ litro d’água

50 gr de cenoura

50 gr de batata

50 gr de abobrinha

Nem pensar em sal ou cubinho Knorr

Cortar os vegetais em pedaços pequenos e cozinhar com fogo lento até reduzir à metade. Passar tudo na peneira fina sem esmagar. Adicionar 5 gr de azeite de oliva. A partir do sétimo mês de idade e do 15º dia do início da papinha, adicionar 5 gr de Parmigiano Reggiano. (Atenção, Mônica: trabalhei no ramo e conheço muito bem esse tipo de produto. NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM use o queijo ralado em saquinho. Nem para as crianças, nem para os adultos. Compre um pedaço de queijo, retire-o da embalagem plástica, enrole-o em um pedaço de papel – saco de pão – e deixe-o na porta da geladeira, ralando somente o necessário na hora de adicionar ao prato. Aqui na Itália onde esse tipo de controle é muito rigoroso, após um controle, descobriram que mesmo entre as principais marcas era possível detectar no produto até 15% de queijo ralado!)

Após a primeira semana, adicionar 15 gr de um cereal sem glúten: creme de arroz, creme de milho com tapioca, creme de arroz com milho e tapioca ou massinha (estrelinha – própria para papinha).

A partir da segunda semana, se bem tolerado, adicionar 40 gr de carne magra, bem cozida só com água e desmanchada com o garfo, iniciando com peru, coelho ou carneiro.

A partir da terceira semana, adicionar gradualmente no brodo diversas verduras da estação, muito bem lavadas, mas não esterilizadas: coração de brócolis, espinafre, salsão, abóbora, erva-doce, beterraba, alho-porro, alface, etc. Evitar couve, couve-flor, e cebola que deixam no brodo um sabor desagradável ao bebê. Não inserir tomates ou legumes potencialmente alergênicos. Essa adição deverá acontecer aos poucos e com um vegetal de cada vez, observando possíveis reações alérgicas ou de intolerância. Variar a papinha com os diversos produtos de estação à disposição.

20 minutos antes da papinha, dar 30 gr de maçã ou pêra raspada com uma colher. Conte o tempo a partir do momento em que acabar de dar a fruta, pois esta será digerida antes da papinha e evitará a formação de gases, normal na fermentação da fruta servida logo após a papinha.

 

Regras oferecidas pelo pediatra:

– Ler as obras de John Tilden e Herbert Shelton

– Evitar a supernutrição – 3 refeições moderadas ao dia e nada mais

– Adaptar o bebê ao alimento e não o alimento ao bebê (salvo alergias ou intolerâncias)

– Fornecer ao bebê alimentos naturais, ou seja, crus, não industrializados, não esterilizados e não adulterados

– Dar alimentos simples. Evitar misturar alimentos que possam causar fermentação intestinal

– Não alimentar o bebê entre uma refeição e outra ou no período noturno

– Se o bebê estiver agitado, com raiva, cansado ou excitado, evitar alimentá-lo

– Em caso de febre, suspender rigorosamente toda a alimentação

– Não dar ao bebê fruta cozida

– Proibido misturar frutas ácidas com alimentos amidoados, com alimentos doces ou com mel

– Proibido misturar alimentos ácidos com proteína

– Proibido misturar fruta doce com fruta ácida

– Fornecer uma única proteína por vez

– Jamais fornecer proteína com leite

– Servir vegetais frescos em abundância antes de alimentos amidoados ou proteicos

– Proibido servir manteiga, óleos e qualquer outro tipo de gordura com alimentos proteicos

– Creme de aveia ou de milho podem substituir algumas papinhas
– Triturar os vegetais crus e adicioná-los à papinha
Com o tempo e quando o bebê tiver dentes para mastigar, a papinha poderá sofrer alterações, contendo pequenos pedaços de legumes cozidos com o brodo e carne desfiada.

Achei uma série de links que tratam do assunto, mas preferi obter as informações diretamente das fontes (mães e pediatra), mas esses dois links (em italiano) não pude evitar:

http://www.naturopataonline.org

http://www.pappaneonato.com

Tem também um blog de um pediatra que não dá consultas, mas aconselha muito às mães sobre a alimentação e cuidados com o bebê (em italiano):

http://valdovaccaro.blogspot.com

Beijocas,

Allan

 

Papinhas no Mundo – EUA

 

Aqui no Brasil, a base é praticamente o arroz e feijão. Na Itália, tem o brodo. Na China, o peixe. E assim descobrimos que cada país tem o seu tipo de papinha. Não só isso. Também tem a sua maneira de introduzir os alimentos sólidos, lidar com a amamentação, alimentar suas crianças. Como somos muito curiosas – e jornalistas! – resolvemos investigar o que acontece em outros lugares.  E descobrimos ideias e modos de pensar que são ótimos e podem nos ajudar bastante! Assim nasceu o projeto PAPINHAS NO MUNDO. Para criá-lo, contamos com a colaboração especialíssima de amigos que moram lá fora.

A estréia acontece depois de um bate-papo, via Twitter, entre a Pati e sua sobrinha Mariana que está nos EUA trabalhando como Au Pair. A conversa gerou o post Quanta diferença, e depois Mariana resolveu contar como é o esquema de alimentação por lá. O texto, sensacional, está no blog que ela colabora, o O blog das 30 Au Pairs. Reproduzimos aqui como o primeiro post de PAPINHAS NO MUNDO.

 

“A gente não quer só comida…”

Um assunto recorrente nos fóruns auperianos – ainda que raramente discutido a fundo – é a alimentação nos Estados Unidos. É só falar da viagem para algum parente, ainda no Brasil, que vc com certeza vai ouvir “Menina, cuidado pra não engordar, lá eles só comem pizza e hamburger com coca-cola, e só tem gordo lá, já reparou? (sic)”

Pois bem, o intuito desse post é desvendar os mistérios da culinária do “país dos gordos”. A troco de curiosidade, para nossas mães, e de interesse, para as futuras Isauras au pairs. As primeiras geralmente querem saber o que comemos, se engordamos, se estamos passando fome… Já as segundas, além dessas preocupações básicas, também querem saber sobre a rotina alimentar das crianças. Então, como diria Chico Picadinho (há!), vamos por partes:

Considerando o tempo que as au pairs passam em casa trabalhando, boa parte da alimentação está diretamente ligada aos hábitos da host family. Coisa que a candidata deve perguntar antes de fechar o contrato, claro. Se uma das crianças tem alguma alergia, se eles são judeus e mantêm tudo kosher, se eles são vegetarianos, se são super carnívoros, se comem só congelados, se nunca comem em casa…são muitas e muitas possiblidades!

Além disso, quando pensamos nos hábitos alimentares da família, estamos pensando em vários fatores:
1. Quem faz as compras da casa?
2. Que tipo de comida é comprada?
3. Como é a hora da refeição?

Atenção candidatas, a única pergunta a ser incluída na entrevista é a terceira!

Pode parecer bobagem, mas tudo isso influencia o que vc comedentro de casa.

  1. Algumas famílias dão dinheiro e pedem para a au pair fazer as compras do mês. Nesse caso, você tem a chance de ver os produtos, saber quanto cada coisa custa e comprar a sua parte da lista, dependendo do que foi combinado com a família. Em outros casos, a família vai anotando numa lista o que está faltando, e pede para a au pair anotar as coisas que ela gostaria de comer. E em outras famílias – como na minha – não tem lista e a família só vai pro mercado quando a geladeira tá sugando, e te pergunta cinco minutos antes de sair de casa se tem alguma coisa que vc queira. E claro, vc não vai lembrar de nada na hora rs
  2. Ao contrário do que muita gente pensa, nem só de pizza vivem os americanos. Algumas famílias são doidas por healthy food, só compram em mercados orgânicos e ai da au pair se tentar botar um chocolate dentro de casa. Outras são mais tranquilas, mas uma coisa é fato: é bom vc se adaptar ao que a família compra, é mais difícil eles se adaptarem à você…

Aqui em casa o healthy food parece que saiu de um filme. Cenoura? Só baby carrot. Tomate? Quase sempre na versão cereja. Legumes? Congelados, com um gostinho especial de plástico. Menos abobrinha e pepino. Verduras? Bem, as folhas de salada vêm cortadas, em embalagens plásticas, acompanhadas de condimentos, croutons, essas coisas. Uma ou duas vezes apareceu um pé de alface hidropônico.  Arroz? De saquinho, semi pronto. O arroz normal é preparado na “panela de arroz”, sem nenhum tempero. Juro. Carne? Não sei, só me lembro que ela existe quando a refeição principal tem carne e não tem, digamos, mais nada pra comer (Y).

  1. Cada casa tem uma rotina alimentar diferente. Depende da profissão dos pais, depende da idade das crianças. Algumas famílias fazem questão de sentar todo mundo na mesa na hora do jantar, que é a refeição mais importante do dia por aqui. Outras comem em horários diferentes, e o jantar da au pair se encaixa em um dos turnos. E algumas famílias nem chamam a au pair pra jantar rs. Aqui, as crianças jantam mais cedo, vão pra cama, e só depois os pais comem. Às vezes ele se sentam à mesa pra comer, às vezes comem em frente à TV, às vezes me chamam, às vezes não, depende do que tiver pra jantar.

Ainda que cada família seja muito diferente, a alimentação das crianças é praticamente a mesma em todas as casas. Com exceção de alguns casos raros, criança come “comida de criança”, e a au pair logo se familiariza com os nomes mac and cheese, peanut butter and jelly, cheerios, gold fish, apple sauce, string cheese, etc. Aqui em casa as crianças quase nunca comem a mesma comida que os pais. A ideia da comida pros pequenos é que seja algo rápido, fácil, prático, que a criança goste e – se é que já não ficou claro – que não dê trabalho nenhum.

Um ótimo exemplo são as papinhas dos bebês. Eu não sei vocês, mas eu cresci vendo minha mãe, vó e tias cozinhando e congelando mil potes de papinha, e raspando fruta fresca pra dar de sobremesa (e ninguém morreu por causa disso hein). Não sei explicar exatamente o porquê, mas isso simplesmente não encaixa na cultura americana. Papinha de bebê é um negócio ridículo de barato, ainda mais se considerarmos o trabalho do processo caseiro. Sem contar que os sabores são uma experiência à parte, faço questão de escrever os mais bizarros:

Spring vegetables with brown rice;
Maccaroni&Cheese with vegetables;
Butternut Squash & Harvet Apple with Mixed Grains (wtf?)
Organic Sweet Pea Turkey Wild Rice
Vanilla Custard Pudding with Bananas
Vegetables Risotto with Cheese
(lembrando que os de cheese são tão fedidos…)

Sem muitas delongas sobre o quão nutritiva ou não é a almentação dos pequenos americanos, o fato é que se a host family disser que vc vai ter que cozinhar/ alimentar as crianças, não se desespere. O processo (pelo menos o meu) é mais ou menos assim:

*Considerando a rotina da minha host family e considerando o gosto alimentar bem restrito do host kid de 3 anos.

Café da manhã: Geralmente é meio corrido e tumultuado, mas suspeito que isso acontece pq a cafeína demora pra atingir meu cérebro e me transformar num ser humano de novo…

Eles: O menino come cereal ou waffle, e toma muuuuito leite (coisa de 3 copos de uma vez). A bebê toma uma mamadeira (fórmula) e um pote de papinha.
Eu: Uma caneca huge de café, cereal ou iogurte.

Almoço: Ao contrário do padrão brasileiro, aqui o almoço é uma refeição menor, pra qual ninguém dá muita bola. Come-se menos do que no jantar.

Eles: O menino geralmente come um prato com pequenas porções de coisas diferentes. Um iogurte, um queijo, um pouco de broccoli e uns biscoitos é um bom exemplo da “montagem” que eu faço pra ele. E sim, eles chamam isso de almoço. Pra bebê, mais papinha e um cereal tipo mucilon, que a gente chama de cardboard (papelão) por causa da cor e do gosto, mas que ela adora.
Eu: Eu costumava almoçar bem no Brasil. Aqui tem que ser uma combinação: o que tem pra comer + a minha agilidade de preparar o que quer que seja enquanto dou colheradas de papinha, sirvo o almoço do kid e ainda mantenho a cozinha mais ou menos arrumada. Tem dias que como salada, ou esquento um veggie burger(!), ou faço um macarrão, ou arroz com vegetais…enfim, dá pra viver, mas tem dia que dá uma saudade monstro de comer comida de verdade!

Jantar: Eu janto no turno dos adultos, já que o das crianças é muito cedo. Se o host estiver em casa, ele cozinha e é ai que eu como melhor, porque ele manda muito no fogão. Se ele trabalha até tarde, ou se ninguém tá no pique de cozinhar, às vezes eles pedem pizza (sempre com carne, pra constar), às vezes comem leftovers, às vezes um congelado, por ai vai.

Por último, vale lembrar que nem só de trabalho é feita essa vida, e que a au pair vai sair pelo menos de vez em quando pra comer fora. E o que vc come fora de casa, claro, é você quem decide
Muita au pair reclama que engorda por conta dos fast foods, e não é pra menos: com o dóllar menu, é possível comer um hamburger, tomar um refri e comer batata frita em qualquer fast food por 3 dólares. Ao contrário do que temos no Brasil, aqui fast food é muito, mas muuuito barato! Claro que vc sempre pode optar por comer em outro lugar, mas se o preço falar mais alto, já era.

Como uma pseudo vegetariana, nunca tem nada que eu goste em lugar nenhum, então meu top USA de comida fora de casa é o  Panera Bread. É a versão mais próxima de uma padaria. Café bom, sopas, pães, saladas, e do lado da minha casa!  Também vale citar o Taylor, que tem sanduíches tipo o Subway, mas em versão gourmet e num preço que compensa, e o Maoz, um vegetariano meio árabe. No mais, eu adoro sair pra comer comida oriental, que vai muito, mas muito além do rodízio de sushi, coisa que eles nem tem. E se apertar a vontade de comida brasileira, aqui em DC area tem a ByBrazil, uma loja cheia de comidas e guloseimas trazidas diretamente da terrinha.

Espero ter conseguido dar um panorama razoável da alimentação americana, do ponto de vista de uma au pair. Me empolguei com o assunto por conta do blog Comer para Crescer, e pretendo voltar a falar sobre comida nos próximos posts, então deixem perguntas e sugestões

Beijos,
Mari

PS: A Mari, sobrinha querida da Pati, e master de corajosa, tem o maior jeito com as palavras, né não? Essa menina iria longe se apostasse na carreira de jornalista  – de moda inclusive, área pela qual ela é apaixonada.